“A vacina é a única forma que nós poderemos ter pra voltarmos ao normal. Nós, infelizmente, sequer chegamos no novo normal, estamos no meio do caminho. O distanciamento social ainda tem que existir, a prevenção com o uso de máscaras, a higiene das mãos”, afirmou o secretário estadual da saúde e médico do hospital Emílio Ribas Jean Gorinchteyn.
O secretário também vai participar da pesquisa e deve receber a dose da vacina na próxima semana. O Instituto Emílio Ribas recebeu cadastros de 1500 voluntários interessados em participar da pesquisa. A escolha dos 852 foi feita de acordo com a ordem da manifestação de interesse.
“A nossa colaboração tem essa meta que a gente pretende cumprir até o final de setembro”, disse Luiz Carlos Pereira Júnior, diretor do Instituto Emílio Ribas.
Testes
A Coronavac, como é chamada a vacina desenvolvida por um laboratório chinês Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, vai imunizar 9 mil voluntários nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Brasília, durante a fase de testes clínicos, a terceira fase da vacina.
O Emílio Ribas é um dos 12 centros definidos pelo governo paulista para aplicação dos testes. Na capital paulista, os testes também serão conduzidos pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e Hospital Albert Einstein.
A testagem, coordenada pelo Butantan, deve ser concluída entre o final de outubro e o início de novembro. Na sexta-feira (31), a vacina também será aplicada na Universidade Municipal de São Caetano do Sul e no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
Os testes foram iniciados no dia 21 de julho. Uma médica foi a primeira voluntária a receber a vacina no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Stefania Teixeira Porto, de 27 anos, trabalha como médica clínica geral do Hospital. No complexo do HC, são 890 voluntários.
- Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
- Instituto de Infectologia Emílio Ribas
- Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto
- Universidade Municipal de São Caetano do Sul
- Universidade Federal de Minas Gerais
- Hospital Israelita Albert Einstein
- Hospital das Clínicas da Unicamp
- Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto
- Universidade de Brasília
- Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas de Fiocruz (RJ)
- Hospital São Lucas da PUC do Rio Grande do Sul
- Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Pará
Vacina
A vacina da Sinovac Biotech já foi aprovada para testes clínicos na China. Ela usa uma versão do vírus inativado. Isso quer dizer que não há a presença do coronavírus Sars-Cov-2 vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de imunização.
Vacinas inativadas são compostas pelo vírus morto ou por partes dele. Isso garante que ele não consiga se duplicar no sistema. É o mesmo princípio das vacinas contra a hepatite e a influenza (gripe). Ela implanta uma espécie de memória celular responsável por ativar a imunidade de quem é vacinado. Quando entra em contato com o coronavírus ativo, o corpo já está preparado para induzir uma resposta imune.
Cientistas chineses chegaram à fase clínica de testes – ensaios em humanos – em outras três vacinas. Uma produzida por militares em colaboração com a CanSino Biologics, e mais duas desenvolvidas pela estatal China National Biotec. G1
