Enfermeiros e técnicos de enfermagem entraram em greve hoje, quinta-feira (23) no Rio após acumularem meses de salários atrasados. Pela manhã, houve protesto dos funcionários de unidades de saúde administradas por organizações sociais.
“O governador não é sensível com a luta dos trabalhadores, o secretario de Saúde também não, a Secretaria de Saúde não tem se empenhado para resolver a questão do salário, do pagamento desses trabalhadores, então não chega a alternativa a não ser decretar uma greve, foi o último recurso que se arrumou”, disse a enfermeira Mônica Armada.
“A gente está iniciando uma greve com 50% dos trabalhadores trabalhando. Outros 50% na greve, com escala de revezamento e essa greve é por tempo indeterminado, a gente só volta quando os salários de todos os trabalhadores forem pagos”, completou a representante do sindicato dos enfermeiros Mônica Armada. Eles contam que, em alguns casos, a demora para sair o pagamento é de quatro meses.
Unidades em que os grevistas prestam serviço
- Hospital da Mulher;
- Hospital da Mãe, em Saracuruna;
- Hospital de Anchieta (HTO);
- Hospital Carlos Chagas;
- UPA São Pedro da Aldeia;
- Samu;
- Hospitais de Campanha.
Os dois sindicatos dizem que já tiveram várias reuniões com o antigo e com o novo secretário de saúde, mas não viram resultados. “Nós tentamos a todo momento mediação tanto na esfera administrativa e judiciária. Tendo em vista que não fomos exitosos em nenhum dos lados, decidimos em assembleia conjunta declararmos a greve”, disse Luciano Pinheiro, presidente do Sindicato dos Técnicos de Enfermagem.
“Trabalhadores não podem pagar por erro admirativos do governo, os trabalhadores trabalharam e tem todo o direito de receber, isso fere a dignidade dos trabalhadores, isso não está certo”, completou Pinheiro. A Tatiana Firmino é enfermeira do Samu, administrado pela empresa OZZ, e não recebeu o último salário. Ela contou que a situação para ela, que tem dois filhos pequenos, está muito difícil.
“Pelos meus filhos, eu queria muito que meu salário saísse, que os governantes tomassem providencia porque eu mesma tive Covid. Quase morri arriscando minha vida para salvar a do outro que eu nem conheço por amor ao que escolhi e eu não tive pagamento”, disse Tatiane.
O que dizem os citados
A secretaria de estado de Saúde disse que estava impedida pela Justiça de fazer novos repasses à OZZ, que administra os serviços do Samu, mas vai depositar em juízo R$ 10 milhões até esta sexta-feira (24) para quitar um mês da folha salarial. A pasta também informou que o salário de junho dos funcionários dos hospitais de campanha do Maracanã e de São Gonçalo vai ser pago diretamente na conta corrente deles.
Para os funcionários dos outros hospitais de campanha, a secretaria diz que o Iabas deve comprovar o cumprimento de carga horária para que o pagamento seja possível. Sobre os salários dos funcionários do Hospital de Saracuruna, a secretaria disse que está tentando, na Justiça, uma forma de depositar os salários diretamente na conta dos trabalhadores, sem passar pelo Iabas.
A secretaria disse ainda que o pagamento de atrasados do HTO será feito ainda essa semana, que os salários do Hospital Anchieta contratados pela Fundação Saúde estão em dia. A O.S., que administra os hospitais da Mãe e da Mulher, já recebeu a verba. Além disso, está sendo produzido um novo contrato para a UPA de São Pedro da Aldeia.
