Os embaixadores dos EUA e da China no Brasil trocaram acusações pelas redes sociais depois que o Departamento de Estado americano divulgou um relatório que aponta suposta campanha de esterilização em massa de mulheres da etnia uigur.
Todd Chapman, chefe da embaixada americana em Brasília, replicou o documento em sua conta no Twitter na sexta (10), enquanto o embaixador chinês Yang Wanming respondeu neste domingo (12). Os uigures são uma etnia majoritariamente muçulmana que vive no oeste da China, principalmente na província de Xinjiang.
Segundo o documento do governo americano, a suposta esterilização seria parte de uma repressão conduzida pelo Partido Comunista Chinês a uigures e outras minorias étnicas em Xinjiang.
Na sexta, ao replicar o relatório em sua conta no Twitter, Chapman escreveu: “Esterilização em massa de mulheres uigures pelo Partido Comunista Chinês — silêncio não é uma opção”.
Neste domingo, o embaixador chinês rebateu as acusações e disse que Chapman veio ao Brasil com a “missão especial” de “atacar a China com boatos e mentiras”.
“Olha, esse homem vem ao Brasil com a missão especial, que é atacar a China com boatos e mentiras, aconselhamos que pare de fazer atividades desse tipo e faça bem o seu trabalho o que facer (SIC). Uma formiga tenta derrubar uma árvore gigante, ridiculamente exagerando em sua capacidade”, escreveu Wanming.
A informação foi atribuída ao Diretor do FBI, Christopher Wray. “Isto está acontecendo no Brasil?”, questionou a embaixada americana em Brasília.
A troca de farpas entre os embaixadores reflete a constante tensão das relações diplomáticas entre os dois países, que travam uma guerra comercial. A China é o principal parceiro comercial do Brasil, seguida pelos EUA.
Os dois embaixadores aparecem no noticiário com frequência. Chapman, por exemplo, teve de fazer teste para detectar coronavírus porque recebeu o presidente Jair Bolsonaro para um almoço de comemoração do aniversário da independência dos EUA.
Três dias depois do encontro, no qual Bolsonaro, ministros e Chapman estavam sem máscara, o presidente anunciou que estava com coronavírus. O embaixador fez um teste, cujo resultado foi negativo, segundo a embaixada.
Já o embaixador chinês reagiu em março, também pelo Twitter, a uma fala do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente. O parlamentar afirmou que a ‘culpa’ pela pandemia de Covid-19 era da China – o país registrou os primeiros casos da doença. Yang Wanming repudiou a publicação do deputado e exigiu pedido de desculpas. G1
