A pesquisadora brasileira coordena os testes da vacina contra o coronavírus no país Foto: Fábio RossiFoi nesse dia que Clemens recebeu a ligação de Andrew Pollard, coordenador da pesquisa de Oxford. Ele a convidou, então, para ser a investigadora chefe dos testes clínicos da vacina no Brasil. Aos 52 anos, Clemens aceitou o convite do pesquisador e, como costuma precisar, 44 dias depois daquela ligação, aconteceria a inauguração do centro de triagem em São Paulo, capitaneado pela Unifesp.
Àquela altura, ela também já havia conseguido financiamento do Instituto D’Or e da Fundação Lemann para os testes no Brasil. Seu trabalho agora é coordenar os centros brasileiros que recebem os voluntários e que vão acompanhá-los ao longo de um ano.
No mundo todo, 50 mil pessoas serão recrutadas para participar dos testes clínicos da chamada AZD1222 – as iniciais são da farmacêutica AstraZeneca, que adquiriu a fórmula e firmou acordo com o Brasil para que a vacina, além de testada, seja produzida no país, em Bio-Manguinhos, unidade de imunobiológicos da Fiocruz.
Em outubro, resultados parciais do Brasil, da África e do Reino Unido (a sede do estudo onde 6 mil pessoas já foram vacinadas) devem alimentar um estudo prévio de eficácia, para o início da produção da vacina.
– É um tempo recorde, o que eu chamo de ritmo Covid. Em nenhum outro lugar do planeta, centros de testes abriram tão rapidamente como fizemos no Brasil – afirma a carioca Clemens, horas depois de acompanhar a primeira imunização de um voluntário carioca: – Trabalhei como uma leoa para trazer esses testes para cá o mais rápido possível.
Precisávamos correr para fazer o trabalho ainda com a curva epidemiológica ascendente – completa a pesquisadora, que, além de coordenar os testes de Oxford no Brasil, é membro dos comitês de outras duas vacinas contra o coronavírus em desenvolvimento, a CureVac, da Alemanha, e a Clover, da China. EXTRA
