Autoridades de saúde trouxeram más notícias nos últimos dias para Brasil e Estados Unidos, países que concentram o pior cenário da pandemia de coronavírus no mundo.
Mais de 126 mil pessoas já morreram nos Estados Unidos devido à doença — o maior número de óbitos do mundo. O Brasil vem logo atrás, com 58 mil mortos até hoje, terça-feira (30), segundo dados da Universidade Johns Hopkins.
Integrantes da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço regional nas Américas da Organização Mundial da Saúde (OMS), disseram hoje, terça-feira que o pico da epidemia no Brasil pode ser em agosto e que o país poderá ter mais de 80 mil mortes até lá.
Pico no Brasil em agosto
A Opas estima que, se as condições de combate ao vírus continuarem as mesmas, o Brasil só atingirá o pico da epidemia em agosto, quando poderá ter 88,3 mil mortes. A estimativa foi feita com base em modelos matemáticos que levam em conta uma série de cenários.
O diretor do Programa de Doenças Transmissíveis da Opas, Marcos Espinal, disse que a organização pediu diversas vezes ao Brasil que aumente a quantidade de teste de coronavírus e que mande uma mensagem coesa para a população.
“No Brasil, os governadores têm o poder de implementar as medidas e estão fazendo isso, mas se não há uma mensagem consistente, a população fica confusa. Estamos muito preocupados com isso”, afirmou Espinal. O Brasil atingiu ontem, segunda-feira (29) a marca de 1.368.195 de casos de coronavírus.
O total de mortes chegou a 58.314. O diretor, por outro lado, elogiou o sistema de saúde do Brasil. “O sistema de atenção primária no Brasil é um dos melhores da América Latina e do mundo, e deve ser mais bem aproveitado”, disse o diretor.
A Opas também estima que Argentina, Peru e Bolívia chegarão ao pico da epidemia em agosto. Já Chile e Colômbia atingiriam o topo da curva em julho. A América Latina poderá ter 438 mil mortes por covid-19 até outubro. As Américas como um todo concentram o maior número de casos e mortes por covid-19. Até 29 de junho, a região registrou 5,1 milhões de casos e mais de 247 mil mortes.
Nos EUA, casos aumentaram depois de reabertura
O número de casos nos Estados Unidos aumentou em 80% nas últimas duas semanas, segundo cálculos do jornal The New York Times.
Embora parte do aumento se deva à ampliação na testagem, em algumas áreas também está aumentando a taxa de testes positivos (ou seja, número de testes positivos em comparação com o total de testes feitos), o que indica um avanço na contaminação.
Esse aumento tem sido puxado por pessoas mais jovens de Estados do Sul e do Oeste do país, onde algumas cidades já encaram pressão sobre seus sistemas de saúde, que não estão dando conta do volume de doentes.
A disparada de casos tem ocorrido especialmente em Estados que reabriram suas economias mais cedo, como Flórida e Texas, ambos no sul. Isso levou as autoridades a aumentar as restrições para o funcionamento do comércio novamente.
“Estamos tendo mais de 40 mil novos casos por dia. Não ficaria surpreso se chegarmos a 100 mil por dia. E por isso estou muito preocupado”, disse Fauci, num pronunciamento ao Senado. A Flórida tem tido recordes de novos casos quase diariamente desde meados de junho.
O Estado teve um número total de mais de 132 mil casos, com mais de 3,3 mil mortos. A Flórida é um dos Estados com maior número de brasileiros nos EUA.
Muitos outros Estados do sul e do oeste tiveram uma disparada de novos casos quando começaram a flexibilizar as restrições colocadas em prática por causa da pandemia e quando outras pessoas de outras regiões do país começaram a chegar.
No início desta semana, Texas, Flórida e Arizona congelaram os planos de reabertura, em um esforço para combater o surto. Na sexta-feira, o governador da Flórida, Ron DeSantis, impôs novas restrições, ordenando que os bares do Estado parem de servir álcool em suas instalações — embora não esteja claro como as novas medidas afetariam os restaurantes, informou o Miami Herald.
E no Texas, que também registrou um número recorde de casos nesta semana, o governador Greg Abbott disse aos bares para fechar e limitar a capacidade dos restaurantes em 50%. ÉPOCA NEGÓCIOS
