A dívida pública brasileira atingiu R$ 5,9 trilhões em maio com os gastos extras causados pela pandemia. Esse nível equivale a 81,9% do PIB, o maior resultado da série histórica do Banco Central, iniciado em dezembro de 2006. Os números foram divulgados nesta terça-feira pelo BC.
O endividamento do país vem acelerando desde o início da pandemia. Em março, a dívida cresceu 1,7 ponto percentual, seguida de um novo crescimento em abril de 1,3 ponto percentual. Em maio, a taxa de crescimento foi de 2,1 pontos percentuais. Para uma comparação, em fevereiro, quando a pandemia ainda não tinha impactado no país, a taxa de crescimento da dívida era de 0,4 ponto percentual.
Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, ressalta que o patamar da dívida está “elevado” e espera uma estabilidade para 2021. Para uma redução, reformas estruturantes seriam necessárias, aponta. Além disso, um cenário internacional favorável também auxiliaria na recuperação.
— Um trabalho árduo do governo de realizar reformas estruturais, principalmente adminsitrativo abre perspectivas boas para os próximos anos.
O aumento no endividamento é decorrente do crescimento das despesas do governo com medidas de combate à crise causada pela Covid-19. Sem recursos, o governo emite títulos de dívida para o mercado. Dessa maneira, ele recolhe recursos para financiar ações como investimentos em hospitais ou o pagamento do auxílio emergencial.
Segundo os dados divulgados pelo Banco Central, o aumento da relação entre dívida e PIB decorreu, principalmente, das emissões de título de dívida, mas também sofreu efeito da variação do PIB para baixo e da incorporação dos juros nominais.
No ano, a relação entre dívida e PIB já subiu 6,1 pontos percentuais, também principalmente pelo aumento no endividamento, dos juros e da desvalorização cambial acumulada.
A dívida bruta, apesar de crescente, tem um custo decrescente, muito por conta da redução da inflação e da taxa de juros nos últimos anos. A chamada taxa implícita, que considera os ativos e passivos do governo, fechou maio em 6,7% ao ano, menor leitura desde o início da série em dezembro de 2007.
Maior déficit da série histórica
Também devido aos efeitos da pandemia, as contas públicas brasileiras fecharam maio com déficit de R$ 131,4 bilhões, superando abril como o maior déficit da série histórica do Banco Central, que se iniciou em dezembro de 2001. O número, que exclui os gastos com juros da dívida, é referente ao chamado setor público consolidado, que engloba União, estados, municípios e empresas estatais.
A maior parte do resultado decorre do déficit no governo central, de R$ 127,1 bilhões. Os governos regionais contribuíram com um resultado negativo de R$ 4,8 bilhões. Já as empresas estatais registraram superávit de R$ 422 milhões.
Medido em 12 meses, o déficit primário é de 3,91% do PIB, maior da série histórica iniciada em 2002. A essa conta, que capta basicamente a diferença entre receitas e despesas do governo, soma-se um gasto de 4,91% do PIB com o pagamento de juro da dívida. Com isso, chegamos a um déficit nominal de 8,82% do PIB, maior leitura desde o fim de 2017.
O aumento do déficit nominal capta, basicamente, a piora do resultado primário do governo, já que a conta de juros têm apresentado redução acompanhando a queda da taxa Selic, principal indexador da dívida do governo. Para dar uma base de comparação, o gasto com juro chegou a beirar os 9% como começo de 2016. O GLOBO
