“Se não diminuirmos nossa curva de contaminações agora, ela dobrará de 100 para 200 casos diários em dez dias. Aí, não conseguiremos mais frear o contágio.”
O alerta é do prefeito Clodoaldo Gazzetta, que pede ajuda da população para aumentar o isolamento e fazer com que Bauru volte a atingir a estabilização de casos vivida entre março e maio, quando o número diário de novos infectados não superava 30 registros.
Nos últimos dias, o ritmo de crescimento da transmissão subiu (veja mais no quadro) e o município chegou a cerca de 100 novas confirmações por dia, o que acendeu o alerta. Hoje, a taxa de ocorrência da Covid-19 na cidade é de 0,3%, considerando os 1.170 casos confirmados até esta quinta-feira (25) e população de 376 mil habitantes.
Já a taxa de letalidade atual é de 2,3%, também embasada nos 27 óbitos. A curva epidemiológica mostra a doença em ascendência e, apesar da estabilização dos meses iniciais, ela não chegou a atingir o chamado “platô”, quando a contaminação chega ao pico e os casos param de subir.
ESGOTAMENTO
Pela epidemiologia, o município só chegará a um cenário de estabilização mais concreto quando a Covid-19 contaminar acima de 20% da população, entre casos notificados e subnotificados, situação conhecida como esgotamento de suscetíveis.
“O índice bate com a projeção inicial de que a epidemia teria 80 mil contaminados na cidade. Com o isolamento social, conseguimos achatar essa curva e evitar o colapso no sistema de Saúde”, ressalta Gazzetta.
Diretor do Departamento de Saúde Coletiva, Luiz Cortez ressalta, contudo, que o controle da doença com menor percentual possível de casos, além de evitar mortes, possibilita exatamente o esgotamento de suscetíveis. “Quanto melhor a quarentena, menor o percentual para atingirmos a chamada imunização de rebanho”, analisa Cortez.
Embora dados apontem taxa de ocorrência de 0,3%, um estudo da USP diz que o número de real de casos de Covid-19 tende a ser de 10 a 14 vezes mais do que os notificados. O que significa, pela estimativa, que esta taxa possa ser de 4% (14 mil pessoas) em Bauru, considerando os 1.170 casos oficias atualmente.
TRANSMISSÃO E RISCOS
Cidades que passaram pelo “platô” têm retornado suas atividades, mas o bauruense ainda corre o risco de cenários ainda mais restritivos, como o lockdown. “Se não revertermos os números e a população não mudar o comportamento, podemos ir para uma fase vermelha não em muito tempo”, avalia Cortez.
A velocidade de transmissão é um cálculo que analisa em quanto tempo houve a dobra dos casos positivos. A cidade levou 76 dias para chegar a 500 confirmações, mas atingiu mil casos em menos de dez dias.
“Com esse salto diário de até 100 confirmações, saímos de uma montanha para um pico. O que é ruim, porque os números tendem a dobrar entre 10 e 15 dias. Precisamos voltar para o cenário de, no máximo, 40 a 50 infectados diariamente”, avalia o prefeito, defendendo que estes patamares possibilitariam maior controle frente à doença.
Já sobre a taxa de letalidade abaixo de 5% (comum em outras cidades), Cortez diz que o número cresce atrasado em relação aos casos e que Bauru não deve sair da média. Ou seja, mais mortes são esperadas.
No início
Ainda não há um estudo para compreender a evolução da doença em Bauru. O inquérito sorológico feito pela prefeitura em parceria com a Unesp testou 1,4 mil pessoas e indicou apenas que a cidade está no início da epidemia em razão da quantidade de infectados (dois em toda a amostragem). Esta avaliação, contudo, deve servir para fins comparativos com uma segunda pesquisa que ainda será realizada. JCNET
