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Aponta Faculdade de Medicina da USP

by nevadaduartina junho 23, 2020 No Comments

As mortes por Covid-19 voltaram a crescer em bairros de alta renda de São Paulo, embora os de renda baixa continuem a concentrar o grosso das vítimas da doença na cidade, revela uma análise da mortalidade nos 96 distritos paulistanos, feita com exclusividade para o G1 pelo epidemiologista Paulo Lotufo, da Faculdade de Medicina da USP, com base nos dados do Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade (PRO-AIM), da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.

Dos dez distritos que somam mais mortes, oito estão no grupo de renda baixa pela definição de Lotufo: Sapopemba, Capão Redondo, Jardim Ângela, Brasilândia, Grajaú, Jardim São Luís, Cidade Ademar e Tremembé. Os outros dois, Jabaquara e Sacomã, estão no grupo intermediário.

Apenas seis dos 48 distritos com mais mortes estão no grupo de renda alta. Desde 9 de junho, porém, depois de uma semana em queda, as mortes voltaram a crescer nos bairros de renda mais alta. O ritmo de crescimento nesses distritos foi de 3,75% ao dia, de acordo com uma aproximação estatística conhecida como “regressão de Poisson”.

Os distritos de renda baixa registraram crescimento menor, pouco acima de 0,5% ao dia desde 10 de maio. Nos de renda intermediária, as mortes têm se mantido constantes desde 23 de maio. Nos três casos, o crescimento foi avaliado até 16 de junho, último dia para o qual as informações do PRO-AIM estão consolidadas.

Para verificar por onde a Covid-19 tem avançado na cidade, Lotufo calculou a proporção das mortes mais recentes no total de mortes. Levou em consideração as ocorridas nas três semanas encerradas em 14 de junho. Descobriu um quadro socialmente mais diverso.

O novo coronavírus cresce não apenas pela periferia, mas também por áreas centrais e regiões nobres, como mostra o mapa abaixo (cores mais escuras correspondem a um avanço maior): Dos 96 distritos paulistanos, 49 concentraram mais de 31% das mortes nas semanas mais recentes: 12 no grupo de renda alta, 18 no de renda intermediária, 19 no de renda baixa.

Entre os dez que encabeçam a lista há bairros pobres, como Campo Limpo (48%) ou Jardim Helena (41%); bairros de classe média, como Vila Guilherme (45%) e São Domingos (42%); ou bairros ricos, como Bela Vista (40%) ou Moema (39%).

Não necessariamente a doença se espalha por tais bairros agora. A tendência reflete o contágio ocorrido até cerca de um mês atrás. Isso acontece porque o prazo médio da contaminação à morte gira em torno de 28 dias (desde que, como tem ocorrido no muncípio, o sistema de saúde funcione e não faltem vagas em UTI).

“O dado do dia 16 corresponde, portanto, ao comportamento da população paulistana no máximo até o final de maio”, afirma Lotufo. De acordo com ele, a transmissão da doença provavelmente cresceu em diversas áreas depois do relaxamento nas quarentenas, a partir do dia 11 de maio.

Para quem não lembra, foi no dia 7 daquele mês que um grupo de empresários seguiu em romaria a Brasília, para exigir do governo “flexibilização” nas medidas de distanciamento social. Em companhia do presidente Jair Bolsonaro, caminharam até o Supremo Tribunal Federal numa marcha patética, que já entrou na história como símbolo da ignorância nacional.

No dia seguinte, o Brasil chegava a 10 mil mortes, e um relatório do Imperial College londrino alertava para o risco associado ao relaxamento (leia mais aqui). Pouco depois Bolsonaro baixou um decreto ainda mais patético, suspenso em seguida, incluindo academias de ginástica e salões de beleza na lista de serviços essenciais.

Continuava a insistir nos poderes milagrosos da cloroquina contra o novo coronavírus e resistiu o quanto pôde a revelar os laudos dos próprios exames para Covid-19.

Bolsonaro não foi o único a ignorar os alertas. Pressionado por carreatas e manifestações de apoio ao relaxamento, o governador paulista, João Doria, desistiu pouco depois de implantar um lockdown rigoroso e adotou, no final de maio, um plano de abertura opaco.

Sem respaldo científico, houve retomada no comércio e em várias atividades (leia mais aqui e aqui). Outros governos seguiram caminhos semelhantes. É verdade que a adoção de outras medidas, como uso de máscaras, higiene nas mãos ou manutenção do trabalho remoto, tem contribuído para reduzir a transmissão da doença.

Não é necessário nem recomendável manter quarentenas sem fim. Mas tais medidas não bastaram para reduzir a taxa de contágio a ponto de afastar o risco de nova escalada nas mortes. Em São Paulo, o indicador conhecido como “número de reprodução”, ou R, permanece no nível de maior incerteza, em torno de 1 – ora pouco acima, ora pouco abaixo.

É o pior dos mundos. De um lado, as mortes resistem a cair. De outro, não há confiança na retomada da economia. O vírus se espalha por bairros por onde já poderia ter sido contido, ameaçando a provavelmente a vida daqueles que, no início de maio, foram às ruas e a Brasília exigir a reabertura prematura. BLOG DO HELIO GUROVITZ/G1

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Nivaldo José

Jornalista e Radialista com mais de 25 anos de experiência em veículos de comunicação/Rádios em Bauru. Tenho como objetivo oferecer um serviço de conteúdo com responsabilidade priorizando sempre a verdade dos fatos. A credibilidade adquirida nesse período também me compromete com as fontes de informação, o que garante a qualidade do meu trabalho.

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