Separados por cerca de 700 metros, manifestantes a favor e contra o governo estão reunidos na manhã deste domingo na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Para evitar confrontos, a Polícia Militar estabeleceu trajetos distintos para os dois grupos.
Os defensores de Jair Bolsonaro estão concentrados no Museu da República e seguirão até o Ministério da Saúde. Já os opositores estão reunidos no outro lado da Esplanada, nas proximidades do Teatro Nacional. Este grupo vai andar até o Ministério da Justiça.
No lado dos apoiadores de Bolsonaro, há um carro de som, com um crucifixo e uma faixa com a frase “O povo Brasileiro apoia Bolsonaro”. Cartazes com os dizeres “O Supremo é o povo” foram distribuídos para os manifestantes. Por volta das 11h, o carro de som tocava uma música gospel.
O blogueiro Allan dos Santos, alvo da Polícia Federal nas operações que apuram os atos antidemocráticos e as ameaças contra ministros do STF, está no ato dos apoiadores. Também compareceu Renan Sena, ex-funcionário do governo federal, alvo de investigações após participar de atos antidemocráticos e agredir uma enfermeira na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Um manifestante entrou no espelho d’água do Palácio do Itamaraty, o que exigiu a ação da polícia. Em outro momento, a corporação usou spray para dispersar uma aglomeração e abrir caminho para um veículo que precisava passar. Mas não houve tumulto ou confusão.
A maioria dos manifestantes usa máscaras e camisas da seleção brasileira. Uma apoiadora está distribuindo folhetos com o endereço de um site que reúne assinaturas a favor do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um orador, que se identificou como um padre, chamou o coronavírus de “vírus chinês” e defendeu uma “intervenção divina” nas instituições. Já do lado oposto, a defesa é do impeachment do próprio presidente Jair Bolsonaro.
Os manifestantes também carregam faixas contra o racismo e pedindo democracia. Muitos participantes do ato vestem camisas de clubes de futebol e também usam máscaras. Pouco antes das 11h, ritmistas tocavam uma paródia de uma música cantada pela torcida do Corinthians nos estádios — nesta versão da manifestação, Bolsonaro é acusado de ser “miliciano”.
Policiais militares estão posicionados em diversos trechos da Esplanada e estão revistando bolsas e mochilas nos principais pontos de acesso. O trânsito está bloqueado para os carros.
