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Média de novos casos volta a subir

by nevadaduartina junho 19, 2020 No Comments

A média de novos casos de Covid-19 registrados voltou a subir na cidade de São Paulo, abandonando as tendências de estabilidade e, posteriormente, de leve queda verificadas no início de junho. Nesta semana o total de casos bateu recorde em um dia e o de mortes confirmadas em 24h no estado todo foi recorde por dois dias seguidos.

Os casos confirmados a cada dia na capital paulista estão em alta desde o último domingo (14 de junho), mostram os dados do Ministério da Saúde enviados pelo governo estadual.

A tendência é a de que o aumento nos casos se agrave nos próximos dias, já que nesta quarta (17) e quinta (18), devido a problemas no sistema de notificação do Ministério da Saúde, o estado de São Paulo não contabilizou todos os casos registrados. A expectativa do governo estadual é incluir os casos da quarta e da quinta-feira no sistema do ministério quando a plataforma voltar a funcionar corretamente.

Questionado sobre a falha durante coletiva de imprensa realizada em Brasília, o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia, afirmou que recomendou aos representantes do estado de SP que extraíssem os dados de outra maneira. “Como qualquer sistema de informação, temos momentos de instabilidade. Mas a segurança dos dados está devidamente garantida”, disse.

Análise gráfica

No último pico da média móvel de casos, em 3 de junho, a capital tinha média de 2.502 novos casos registrados a cada dia. Após uma queda repentina, a média móvel se manteve estável, formando um platô ao longo de cinco dias, com médias de 1.940 a 2.023 casos entre os dias 9 e 13 de junho.

No entanto, a partir do dia 14, a tendência mudou e a cidade passou a registrar índices cada vez maiores de novos casos: na terça (16), último dia com dados completos, a média móvel foi de 2.807 novos casos.

Segundo Luis Fernando Chubaci, físico e professor da Universidade de São Paulo (USP) que acompanha os dados de Covid-19 em São Paulo desde o início da pandemia, a capital abandonou o platô e perdeu a estabilidade que havia sido conquistada no indicador de novos casos por dia.

“A partir de 14 de junho começou a subir muito forte na capital, e isso puxou também a média na Grande São Paulo e no estado, porque foi um crescimento mais forte na cidade justamente na semana que nós estamos agora”, avalia Chubaci. Segundo ele, quando forem inseridos os dados atrasados dos últimos dias, devido ao problema na plataforma nacional, os números vão puxar ainda mais a tendência de alta que está posta

“O que vai acontecer é que quando colocar o dado correto vai puxar lá para cima. O estado como um todo estava tendo, na média, de 5 a 6 mil casos por dia. Agora, com a falha do e-SUS, foram dois dias na casa dos 1 mil casos. Pode ser que venha um dia que tenha 10 mil, com os casos atrasados, e aí estoura a curva”, explica.

A média móvel dos últimos 7 dias é um indicador recomendado por especialistas porque minimiza os efeitos da variação nos registros que ocorre aos finais de semana, quando as notificações caem sistematicamente. Enquanto as barras dos gráficos acima mostram o valor registrado por dia, a linha que se sobrepõe às barras faz uma média diárias dos últimos 7 dias.

Causas do aumento

Ainda não é possível afirmar que o aumento se deve às medidas de reabertura da economia que, na capital, começaram no dia 5 de junho, com a liberação de concessionárias e escritórios. Isto porque o tempo de incubação do novo coronavírus é de até 14 dias e, portanto, boa parte dos novos casos confirmados a partir de 15 de junho corresponde a infecções que ocorreram antes da reabertura do comércio.

Especialistas lembram ainda que as notificações da doença ocorrem com atraso em relação aos primeiros sintomas, assim como os registros de morte pelo vírus costumam ser confirmados após a data do óbito. Por isso, casos confirmados e mortes registradas a partir do dia 15 podem ser ainda mais antigos.

Na terça-feira, quando o número de mortes por Covid-19 em SP bateu recorde, o coordenador-executivo do comitê de saúde do estado disse que os dados não refletem, ainda, as medidas de relaxamento da quarentena porque “o número de óbitos é alterado por alguma coisa que aconteceu há 20 dias, há 30 dias atrás”, e não há uma semana.

“À medida que novos municípios aumentam o número de casos, e isso está acontecendo no interior do estado, há uma tendência nesta elevação no total. O número de óbitos não reflete alguma mudança de atitude que tenha acontecido na semana passada”, completou João Gabbardo.

Evolução nos critérios do Plano SP

O governo estadual utiliza cinco critérios de saúde para decidir relaxar ou endurecer a quarentena em cada região. Entre os critérios estão mortes e casos confirmados de Covid-19. Cada item tem um peso na conta final para a classificação entre as fases:

  1. Taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19;
  2. Proporção de leitos UTI Covid-19 a cada 100 mil habitantes;
  3. Variação no número de casos confirmados da doença os últimos 7 dias;
  4. Variação no número de novas internações nos últimos 7 dias;
  5. Variação no número de mortes confirmadas nos últimos 7 dias;

Inicialmente, a divisão do estado foi feita com base nas 17 Divisões Regionais de Saúde (DRS). A capital, no entanto, desde o início do anúncio do plano ficou de fora da DRS da Grande São Paulo, o que gerou críticas pela antecipação da possibilidade de flexibilização antes das demais cidades.

Na época, a principal justificativa do governo estadual para a classificação diferente foi a taxa de ocupação de leitos de UTI e a disponibilidade de leitos para 100 mil habitantes, que apresentava índices melhores na capital que nas outras cidades.

Após pressão de prefeitos, a gestão estadual concordou em subdividir a DRS da Grande São Paulo em outras 5 microrregiões além da capital, para que os locais que apresentassem melhores índices também pudessem avançar nas fases de reabertura. G1

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Nivaldo José

Jornalista e Radialista com mais de 25 anos de experiência em veículos de comunicação/Rádios em Bauru. Tenho como objetivo oferecer um serviço de conteúdo com responsabilidade priorizando sempre a verdade dos fatos. A credibilidade adquirida nesse período também me compromete com as fontes de informação, o que garante a qualidade do meu trabalho.

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