O contágio da Covid-19 no Brasil caiu pela terceira semana seguida, de acordo com cálculos do Imperial College, de Londres, uma das mais respeitadas instituições de pesquisas epidemiológicas do planeta. O país, no entanto, ainda está com a taxa Rt acima de 1, o que indica transmissão “fora de controle”. A Rt indica para quantas pessoas em média cada infectado pode transmitir o vírus.
A taxa do Brasil calculada para essa semana pela instituição britânica foi de 1,05, ou seja, cada cem pessoas contaminadas transmitem o coronavírus em média para outras 105, que por sua vez trasmitem para outras 110 e assim por diante.
Apesar desta ser a oitava semana em que o país registra número “fora de controle” (acima de 1), os índices do Brasil já foram piores. Em abril, o país chegou à taxa de 2,8 e, no começo de junho, na medição imediatamente anterior feita pelo Imperial College, era de 1,08, de acordo com a instituição.
O Brasil tem no momento 965.512 de casos e 46.842 mortes por coronavírus confirmadas, de acordo com o mais recente levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.
Em coletiva de imprensa na última quarta (17/6), o diretor executivo de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, já havia alertado que, apesar da estabilização nos índices, o Brasil precisa ficar atento e reforçar medidas de prevenção para que os números não voltem a subir:
– Os sinais caminham para uma possível estabilização, mas a doença pode voltar a crescer, como já vimos em outros países. A hora é de reforçar as medidas de isolamento social, higiene, evitando multidões e dar especial atenção às minorias e as comunidades mais pobres, onde a população não pode seguir as medidas de isolamento totalmente, por conta da geografia dos locais e garantir que os hospitais estão prontos também para receber pacientes.
A metodologia usada pelo Imperial College considera o número de mortes e, por isso mesmo, reflete o impacto das medidas de prevenção ao contágio, como o isolamento social, semanas depois de implantadas. Segundo a instituição, o número de mortes estimadas para o Brasil, na semana que começou no dia 14 de junho, é, por exemplo, de 7.090, o maior entre os 51 países com transmissão ativa do vírus monitorados pela instituição.
Curva de mortes pelo coronavírus também se estabiliza no país
Análise do GLOBO mostrou que o Brasil completou três semanas com o ritmo de registro de mortes por Covid-19 em “estado de estabilização”. Quando se considera uma média semanal de óbitos (para descontar os atrasos de notificação dos finais de semana), desde o dia 26 de maio, o país está em um patamar médio de 985 vítimas por dia, sem oscilar mais que 6% para cima ou para baixo desse valor.
Apesar de aparentemente ter atingido um platô, as diferenças regionais no país revelam o desafio de conter a pandemia. Enquanto os estados onde a pandemia chegou antes, Rio de Janeiro e São Paulo, puxam a tendência de estabilização, outros, como Paraná e Paraíba, registram caminhos opostos. O GLOBO
