Redução salarial, desemprego e informalidade são algumas das consequências econômicas da quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus. Com o orçamento mensal reduzido, muitas famílias optaram por transferir os seus filhos para a rede pública de ensino.
Em Bauru, 108 estudantes deixaram as escolas privadas rumo às municipais ou estaduais entre os meses de abril e maio deste ano. O número é bem superior ao registrado no mesmo período de 2019.
Diretora do Departamento de Educação Infantil, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Educação, Anie Duchatsch revela que, nos dois últimos meses, o seu setor realizou 35 transferências de alunos da rede particular. No mesmo período do ano anterior, havia apenas uma.
Anie também fala em nome do Departamento de Ensino Fundamental da pasta. Tal área, segundo ela, efetuou 11 transferências entre abril e maio de 2020. “Não temos os dados do ano passado, porque o setor não possui uma central de matrículas”, justifica.
Ainda de acordo com a diretora, o proprietário de uma escola particular a acionou, dizendo que muito mais alunos saíram do seu estabelecimento. “Eu acredito que os pais estejam com as crianças em casa. Só nos procuraram aquelas famílias cujos filhos têm acima de 4 anos e, portanto, são obrigadas, por lei, a matriculá-los em alguma unidade de ensino”, reforça.
Logo, os alunos menores de 4 anos não precisam obrigatoriamente frequentar a escola. “Os pais tiraram os pequenos dos estabelecimentos particulares para ficar sem pagar a mensalidade, que passou a pesar no bolso. Tanto que, das 35 transferências da Educação Infantil, somente cinco dizem respeito à faixa etária em questão”, justifica.
Questionada sobre o perfil dos estudantes oriundos da rede privada, a gestora afirma que a maioria vive em bairros mais favorecidos e, por isso, as escolas municipais destes locais têm vagas. “Caso contrário, grande parte dos pais possuem carros e conseguem levar os filhos para uma unidade mais longe de casa”, reforça.
Por isso, Anie acredita que a rede municipal teve condições de atender a todas as transferências. Se houver uma procura ainda maior, a diretora afirma que o poder público deverá contratar mais professores e abrir salas nas escolas já existentes.
JÁ NO ESTADO…
Dirigente Regional de Ensino, Gina Sanchez informa que, entre abril e maio de 2020, a pasta realizou 62 transferências só em Bauru. No mesmo período de 2019, havia apenas quatro. Os números incluem os ensinos Fundamental e Médio.
Segundo ela, a discrepância se torna ainda maior porque, nesta época do ano, sem qualquer motivo de força maior, como a atual pandemia, os alunos já estão em curso e a quantidade de transferências é pequena.
Gina traça um perfil destes estudantes. “Normalmente, pertencem às famílias de classe média que, até então, faziam um esforço maior para pagar uma escola particular da sua opção. Porém, neste momento, com a falta de emprego e a redução de salários, buscaram pela rede pública”, analisa.
A gestora aguarda mais transferências até que a pasta defina o dia exato do retorno das atividades. “Não corremos o risco de esgotamento. Inclusive, já conseguimos atender à demanda sem superlotar as salas. Além disso, temos a possibilidade de abrir classes”, finaliza.
Lista de espera
Em abril deste ano, havia 344 alunos aguardando vagas junto à rede municipal de ensino. Em março, eram 334 estudantes. No entanto, a lista de espera abriga apenas os menores de 4 anos, porque ainda não são obrigados a se matricularem na escola.
Segundo Anie Duchatsch, da Secretaria Municipal de Educação, a fila é baixa em relação aos anos anteriores. “Para se ter ideia, a média de 2017 chegou a 1,3 mil alunos. Em 2018, caiu para 1,2 mil e, em 2019, passou para 800. Isso porque nós começamos a fazer um recadastramento anual”, justifica.
As turmas de crianças menores abrigam, no máximo, 15 alunos. Já as salas das demais têm capacidade para 25. “Por isso, conseguimos atender mais os alunos maiores do que os bebês”, complementa. JCNET
