Após receber hoje, quarta-feira (3) um pedido de um apoiador sobre uma medida no Rio de Janeiro, o presidente Jair Bolsonaro disse que não vai conversar com o governador do estado, Wilson Witzel. Em seguida, insinuou que Witzel será “brevemente” preso.
O apoiador, que falou com Bolsonaro na saída da residência oficial do Palácio da Alvorada, se apresentou como policial militar reformado. Ele pediu ajuda contra o pagamento de uma taxa previdenciária, cobrada pelo governo do Rio. “Eu não vou conversar com o Witzel. Até porque, brevemente, já sabe onde ele deve estar, né?”, respondeu Bolsonaro.
O G1 enviou um e-mail às 10h30 para a assessoria do governador, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. Witzel foi alvo, na semana passada, da Operação Placebo, que investiga suspeitas de desvio de recursos, na Saúde do Rio, destinado a ações contra o coronavírus.
Foram 12 mandados de busca e apreensão — um deles no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, e outro na casa dele no Grajaú. A esposa do governador, Helena Witzel, também é investigada. Ao comentar a operação, também na semana passada, Bolsonaro parabenizou a Polícia Federal. Ele riu após ouvir um comentário de um apoiador a respeito da operação.
Bolsonaro e Witzel foram aliados durante as eleições de 2018. Witzel chegou a ter como um dos principais apoios na campanha um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos -RJ).
Mas a relação entre o governador e o presidente se deteriorou nos últimos meses e eles se tornaram rivais políticos. Bolsonaro acusa Witzel de criticá-lo com objetivo eleitoral. O desgaste entre os dois se intensificou com as medidas de isolamento social, tomadas pela maioria dos governos estaduais, inclusive o do Rio, para a contenção do coronavírus. Bolsonaro é contra as medidas.
Operação Placebo
A operação da Polícia Federal foi autorizada pelo ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, e investiga contratados na área da saúde no governo do Rio.
A organização social Iabas foi contratada de forma emergencial pelo governo estadual para construir e administrar sete hospitais de campanha. Contrato no valor de R$ 835 milhões é cercado por irregularidades, segundo investigadores.
Outra operação da PF há três semanas prendeu cinco pessoas, entre elas o empresário Mário Peixoto, que tem contratos de R$ 129 milhões com o governo do RJ. Após essa operação, a Lava Jato no Rio enviou citações a Witzel para a Procuradoria-Geral da República. Os crimes investigados são: peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Em um determinado momento da conversa com os apoiadores nesta quarta, um deles disse a Bolsonaro que a mãe morreu de covid-19 (a doença causada pelo coronavírus) e que ela tinha problemas no coração. O apoiador disse que as pessoas estão morrendo por causa das comorbidades. Bolsonaro, na resposta, disse que “qualquer negócio” está sendo tratado como Covid-19.
“Está acontecendo geral, qualquer negócio é Covid. Agora pelo amor de Deus, tem governador, tem prefeito, vocês botaram esses caras também. Não vou falar o que tem que fazer, porque é duro fazer, porque vota de boa fé e o cara faz besteira muitas vezes. Eu não posso resolver tudo, não”, afirmou o presidente. G1
