A Prefeitura de Ubirajara está convocando todas os presentes no velório de uma mulher diagnosticada com Covid-19 para comparecerem a uma unidade de saúde e passar por avaliação.
Segundo o município, que aponta suposta falha por parte do hospital onde a paciente ficou internada, em Marília, a testagem e posterior confirmação da doença ocorreu somente após a morte e sepultamento da mulher, e por insistência da Diretoria Municipal de Saúde.
Em razão disso, o velório ocorreu sem os devidos cuidados, o que gerou questionamentos e dúvidas entre a população da cidade. A mulher, de 75 anos, foi a primeira moradora de Ubirajara a morrer em decorrência da Covid-19.
Segundo a secretária municipal da Saúde, Juliana Paula Nardello, ela tinha sequelas de AVC e doença pulmonar e chegou a realizar um teste rápido para a detecção da doença no dia 7 de maio, que deu negativo. Posteriormente, teve uma piora no quadro de saúde e foi internada no Hospital Universitário da Unimar, em Marília, onde morreu no último dia 16.
A secretária alega que só recebeu o resultado do exame com a confirmação da infecção pelo novo coronavírus na última sexta-feira (22), dias após o velório dela. De acordo com Nardello, mesmo apresentando todos os sintomas da doença, a paciente não teria sido testada para Covid no hospital.
Nos últimos dias, após vários moradores de Ubirajara testarem positivo para a doença, a secretária passou a levantar a possibilidade de a idosa ter morrido pelo novo coronavírus.
Segundo ela, todos os positivos mantinham contato com a mulher ou vínculo com pessoas que tinham contato com ela. “Eles (o hospital) fizeram o teste posteriormente porque a gente comunicou a Vigilância Epidemiológica de Marília, a Vigilância Epidemiológica foi até o local e tinha sangue dela coletado”, conta.
SEM RESPOSTA
A secretária afirma que o hospital não respondeu os pedidos de informação da Prefeitura de Ubirajara. Até mesmo o envio do resultado do exame com a confirmação da morte por Covid, de acordo com ela, foi feito pela Vigilância Epidemiológica de Marília. “A Unimar até agora não se pronunciou em nada para nós”, diz.
Para Nardello, se todos os protocolos tivessem sido seguidos pelo hospital, os casos positivos da doença teriam se limitados às pessoas que tiveram contato direto com a paciente antes da internação dela. “Muita gente foi no velório e a gente está testando esse pessoal”, revela. A cidade soma 12 pacientes com Covid.
Segundo ela, a prefeitura levou o caso à Justiça para que seja apurada eventual falha por parte do hospital. “O atestado de óbito dela não constava Covid. Por isso que teve o velório”, argumenta. “Se tivesse pelo menos suspeita de Covid ou alguma coisa relacionada a isso, de lá já vinha o caixão lacrado e enterrava direto. É esse o procedimento”.
Procurado pela reportagem, o Hospital da Unimar se manifestou por meio de nota. Ele não respondeu nenhum dos questionamentos feitos em relação ao atendimento prestado à paciente e nem sobre as declarações feitas pela Prefeitura de Ubirajara. Ontem, quarta-feira (27), em seu boletim diário, o Hospital da Unimar somava zero óbitos por Covid.
“O Hospital Beneficente Unimar (HBU), preocupado com a assistência integral e segura de seus pacientes, assim como de seus funcionários, desenvolveu e implementou um sistema de triagem e tratamento exclusivo para pacientes suspeitos de Covid-19 denominado Código Roxo.
Uma estrutura exclusiva com fluxo unidirecional e sem contato com demais pacientes, garantindo equipamentos de proteção, protocolos baseados nas melhores práticas e uma equipe assistencial altamente qualificada”, informa.
“Todas as medidas necessárias foram realizadas no cuidado da referida paciente e nos solidarizamos com a família a perda de um ente querido. Ressaltamos que a missão do HBU é oferecer o melhor serviço da saúde da região e trabalharmos em cooperação com a população para vencermos esta pandemia”. JCNET
