Começa a funcionar hoje, terça-feira (26), o Hospital das Clínicas (HC) de Bauru, localizado no predião da USP. O JC já noticiou que a unidade terá 40 leitos de enfermaria (atendimento de média e baixa complexidade), inicialmente, e atuará de portas fechadas, atendendo apenas casos de Covid-19 transferidos pelo Hospital Estadual (HE).
Os primeiros pacientes devem chegar de ambulância ao HC hoje, segundo informa a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), gestora do hospital. A ativação do HE é feita às pressas pelo Estado em razão da Covid-19, mas o governo garantiu que o hospital seguirá aberto mesmo após a pandemia.
A expectativa, inclusive, é de que haja ampliação do serviço, já que o prédio de 11 andares possui capacidade para outros quase 200 leitos, sendo 21 Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Por enquanto, o HC se restringe aos 4.º e 5.º andares do predião. São 16 no pavimento mais baixo e 24 no mais alto. Cada andar tem 8 enfermarias com, no máximo, três leitos cada uma.
“Já está tudo equipado e pronto. Farei uma última visita ao hospital no final da manhã de hoje, para ver como tudo ficou. Na sequência, as transferências devem começar”, cita Antonio Rugolo Júnior, presidente da Famesp.
A unidade abrirá com 120 funcionários contratados temporariamente (por um prazo de 5 meses prorrogáveis pelo mesmo período) e sem um diretor nomeado. “Faremos uma força-tarefa com a nossa equipe de gestão do HE, por enquanto. Devo receber o apoio da doutora Deborah [Maciel Cavalcanti Rosa], que é diretora do HE, e do doutor Paulo Rangel [gerente médico do HE]”, detalha Rugolo.
TRANSFERÊNCIAS
As transferências de pacientes entre o HE e o HC devem obedecer a critérios médicos rigorosos. E serão feitas por duas ambulâncias com UTI móvel, que serão remanejadas. Uma é do HE e a outra da Maternidade Santa Isabel. A Famesp aguarda repasse do governo do Estado para a compra de uma UTI móvel especificamente para o HC.
“O convênio ainda está na Secretaria [de Saúde do Estado], acredito que na coordenadoria, mas soube que já está tudo certo e garantido”, explica Rugolo. A assinatura deste convênio e também de um acordo emergencial junto à USP vinham impedindo a abertura do HC. O imbróglio, contudo, teve fim após anúncios na última quarta-feira (20).
LEITOS EMERGENCIAIS
Além dos 40 leitos, há outros dois sobressalentes equipados com estrutura de respiradores para caso algum paciente apresente evolução rápida da doença. “São leitos para situações de emergências, até que a transferência ocorra”, cita o presidente da Famesp.
Inicialmente, a ideia do Estado era de que o HC atendesse outras especialidades, ajudando no esvaziamento do HE, que é referência para a Covid-19. Mas o fluxo foi redesenhado, porque a verba usada para a liberação do hospital será “carimbada”, o que impediria o uso para outros fins.
Além de R$ 3 milhões para a implantação dos leitos, o HC terá um custeio mensal de R$ 1,2 milhão. Segundo Rugolo, a unidade terá a mesma abrangência regional que o HE, atendendo 38 municípios, mas as vagas serão coordenadas pela Famesp, já que a entrada na unidade se faz apenas por meio de transferências, por enquanto.
Cuidados
Para que o predião atenda a Covid-19, um conjunto de regras internas na USP foi colocado em prática. É que o predião não está desocupado e atende outras especialidades nos 2.º e 7.º andares. No 2.º andar funciona a saúde auditiva, que atende principalmente idosos e crianças. No 7.º andar funcionam laboratórios.
Funcionários da Famesp e as ambulâncias relacionadas ao transporte da Covid-19 terão entrada diferente dos funcionários e pacientes da USP, pela portaria da rua Henrique Savi. E o trânsito das equipes de saúde da Famesp deve ficar restrito a setores do predião, que conta com refeitório e banheiros.
Sem cerimonial
A abertura do HC deve ocorrer sem evento cerimonial. A ativação da unidade, contudo, é um marco para Bauru. Há três décadas a cidade aguardava pela instalação de um hospital público no local. A pedra fundamental do predião foi lançada em 1989 e as obras começaram em 1990.
A construção passou por várias interrupções antes de ser concluída. Em 2012, após 22 anos de expectativas, o local começou a ser ocupado por alguns serviços de saúde ligados à USP, mas o sonho de um hospital geral só ficou mais próximo com a chegada da Faculdade de Medicina da USP de Bauru. Após a pandemia, a ideia é que o hospital funcione como escola para alunos do curso na cidade, disse o governo estadual em nota. JCNET
