Na segunda reunião do Conselho Municipalista, por videoconferência, ontem, terça-feira (12), Clodoaldo Gazzetta defendeu, entre os critérios para flexibilização regionalizada, que o Estado considere municípios que achataram a curva da Covid-19.
Pela regra atual, o governo exige a redução sustentada, no período mínimo de 14 dias, de novos casos. Esta situação dificultaria a reabertura até mesmo em cidades que, assim como Bauru, vivem estabilidade de confirmações diárias.
Em 11 de abril, o município tinha 13 confirmações da doença, entre elas um óbito. Pouco mais de um mês depois, os registros saltaram para 177, com dez óbitos.
Apesar de parecer alto, o número é inferior às projeções epidemiológicas, que já previam mais de 500 casos, se o isolamento não fosse respeitado.
“O que estamos tentando dizer ao Estado é que, para algumas cidades e a Capital, esse indicador do decréscimo pode ser importante, mas não para o Interior.
Nós achatamos bem a curva com o isolamento e não conseguiremos ter um decréscimo agora, porque já estamos bem abaixo do que era esperado. Pela Fiocruz, era para estarmos confirmando 44 casos por dia, não 8 ou 9. Temos um aumento sim, mas estável”, pontua Gazzetta.
Outro critério exigido pelo Estado para a flexibilização é a manutenção da taxa de ocupação dos leitos de UTI em patamar inferior a 60%, o que o prefeito considerou mais fácil resolver. A informação foi antecipada pelo JC ontem, terça (12).
“Somos heterogêneos, Bauru e a região Noroeste do Estado são mais fortes em comércio e serviços. Já a região metropolitana, em indústria. Então, lá, na Capital, eles têm menos pressão do que a gente aqui. Por isso, é preciso pensar de formas diferentes”, reforça Gazzetta.
FORMALIZAR
De acordo com o chefe do Executivo, outras cidades, como Santos e Campinas, também citaram, na reunião virtual, seus próprios planos de reabertura.
Gazzetta apresentou ao Estado o “Pacto por Bauru” na última segunda-feira (11) e aguarda reunião hoje, quarta (13), com vereadores, empresários e imprensa bauruense, para formalizar ao governo estadual um relatório com a proposta.
“Antecipei hoje (ontem), por WhatsApp, algumas explicações e a fórmula do pacto ao Dimas Covas [coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus no Estado], mas ainda irei formalizar.
Espero ter uma resposta na semana que vem”, cita Gazzetta, acrescentando que a próxima reunião do Conselho Municipalista deve contar com a presença do governador João Doria, na próxima segunda (18).
No encontro de ontem, que contou com quase todos os secretários de Estado, os 16 prefeitos que compõem o conselho foram informados sobre o Plano São Paulo, que depende da apresentação de planos regionais, como o de Bauru.
O secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, contudo, ressaltou que o ‘Dia D’ (início da abertura) será possível apenas “quando a região apresentar 14 dias consecutivos de declínio de casos e taxa de ocupação de leitos inferior a 60%”.
Academias e salões: sem definição
Outro tema abordado no encontro e que ainda segue indefinido é quanto ao decreto federal que incluiu serviços de academias, salões de beleza e barbearias como atividades essenciais.
Os secretários presentes na reunião ressaltaram a importância de os municípios seguirem o decreto estadual, que é válido até 31 de maio.
“Peço paciência aos setores em Bauru, pois ainda não é permitido abrir. Estamos esperando uma instrução normativa do Ministério da Saúde para elaborar o nosso decreto e seguir a lei. E o Estado também ainda se posicionará”, afirma Clodoaldo Gazzetta.
O pronunciamento do governador sobre o assunto deve ocorrer hoje, quarta-feira (13). JCNET
