Hospitais privados de São Paulo registraram grande aumento no número de pacientes com Covid-19 vindos de outros estados do país nos últimos dias, segundo o coordenador do Centro de Contingência Contra o Coronavírus, David Uip.
Se o aumento se repetir no sistema público, o estado deve pedir ajuda ao governo federal, disse o secretário da Saúde de São Paulo, José Henrique Germann, nesta quarta-feira (6). “O estado não tem fronteiras nesse sentido, porém é nesta hora que o governo federal deve atuar.
Cabe ao governo federal realizar esse equilíbrio, seja através de recursos, seja através de um direcionamento desses pacientes [vindo de fora de São Paulo]”, disse José Henrique Germann.
“A expectativa é que possa existir esse movimento nas fronteiras leste e norte do estado, mas isso ainda não aconteceu. Se acontecer, nós vamos pedir ajuda ao governo federal”, completou o secretário.
As UTIs do estado de São Paulo operam hoje com taxa de ocupação de 67%. Na Grande São Paulo, a lotação é ainda maior: 86% dos leitos deste tipo estão ocupados na região metropolitana, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta.
“Estamos com uma internação em UTI e enfermaria de aproximadamente 8,5 mil casos, sejam eles casos confirmados ou suspeitos”, disse Germann.Em coletiva de imprensa ao lado do secretário, David Uip também declarou que o estado não vai recusar pacientes, mas que é preciso ter recursos federais para atender aqueles que vêm de fora do estado.
“São Paulo não pode simplesmente financiar, tem que atender e vai atender como sempre atendeu, mas é preciso ajuda do governo federal”, disse Uip.O infectologista destacou que “já há uma pressão nos hospitais privados na cidade de São Paulo” porque “aumentou muito o número de internações de pacientes oriundos de outros estados”.
“São Paulo tem a tradição de receber pacientes do Brasil inteiro, tanto no setor privado como público, isto é uma característica de SP e eu entendo que assim deve ser feito.
O SUS é universal, se os pacientes vierem de outros estados, São Paulo tem obviamente que atender, mas isso que o secretário de estado falou é absolutamente fundamental, precisa vir o paciente e o recurso, porque senão fica desigual”, afirmou o coordenador do centro de contingência contra a Covid-19.
3 mil mortes
O estado de São Paulo chegou hoje (6) à marca de 3 mil mortes confirmadas pelo novo coronavírus, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. O governador João Doria (PSDB) decretou luto oficial em todo o estado de São Paulo a partir desta quinta-feira (6).
São 3.045 óbitos confirmados por exame laboratorial, um aumento de 7% em relação aos números de terça-feira (5). O número de casos confirmados no estado é de 37.853, valor 10% superior ao registrado na terça.
Ao anunciar os dados oficiais em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, disse que os paulistas “precisam tomar muito cuidado” e que aqueles que não respeiram a quarentena estão “brincando com a sorte”.
“Queria reforçar a questão do número de óbitos para que as pessoas olhem para esses números e procurem se salvar em casa. Ficar em casa significa se salvar. Para que ele não se exponha e não adquira a doença, não seja mais um caso confirmado em São Paulo. Isso vai passar. Nós vamos vencer, mas nós precisamos tomar muito cuidado agora, porque nós estamos brincando com a sorte”, disse José Henrique Germann.
Há ainda 8.601 pacientes internados, entre casos confirmados e suspeitos, que aguardam resultado do teste de Covid-19. Desses mais de 8 mil pacientes internados, 3.404 estão em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e 5.197 estão em enfermarias.
Taxa de isolamento em SP
Em ambos os casos, o índice está bem abaixo da média mínima desejada para qualquer análise futura sobre isolamento social, de acordo com o governador de São Paulo, João Doria, durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, Zona Sul de São Paulo nesta quarta.
“Nós temos dito e repetido aqui que nenhuma medida de flexibilização será adotada no estado de São Paulo se não tivermos a média entre 50 e 60%. Essa é a orientação da medicina, da ciência e da saúde. Infelizmente não estamos alcançando essa média.” – João Doria
O coordenador do Centro de Contingência para Covid-19, David Uip, disse durante a coletiva que o achatamento e o pico da curva de número de casos dependem de um isolamento de no minimo 55%.
“Nós estamos vendo de um lado uma frouxidão do sistema de isolamento e de outro lado a necessidade, pela quantidade de infectados, de aumentarmos a taxa de isolamento. A única arma que nós temos é o isolamento social.
Nós não temos medicamentos, nós não temos vacinas e nem teremos a curto prazo, então é absolutamente fundamental que a população continue se sacrificando. Neste momento é necessário e é a única alternativa.”
Os dados são contabilizados pelo Sistema de Monitoramento Inteligente (SIMI-SP) do Governo de São Paulo, que analisa os dados de telefonia móvel para indicar tendências de deslocamento e apontar a eficácia das medidas de isolamento social no combate à pandemia de coronavírus. G1
