Após atingir taxa de ocupação de 100% neste fim de semana, o Hospital Estadual (HE) fez uma readequação interna e conseguiu vagar três leitos de UTI, derrubando o índice para 90% na tarde de ontem, segunda-feira (4). Dos 29 leitos de terapia intensiva na ala reservada para a Covid-19, 26 estavam ocupados ontem.
Apesar da manobra, a taxa ainda é considerada alta e escancara a necessidade da ampliação, cuja promessa é ocorrer nos próximos dias. Enquanto isso, o prefeito Clodoaldo Gazzetta já tem proposta de locação de leitos particulares, que estão praticamente vazios na cidade, e diz que a transferência, em caso de colapso do HE, será imediata.
Presidente da Famesp, entidade responsável pela gestão do Hospital Estadual, Antonio Rugolo Júnior conta que a lotação dos 29 leitos na ala da Covid-19, que fica no segundo andar do HE, durou algumas horas e foi contornada por meio de manobras internas.
“Não houve colapso. Na mesma noite, readequamos tudo no próprio hospital, pois é algo possível ainda. Alguns pacientes estavam internados há muito tempo e tiveram alta. Outros pacientes foram para a enfermaria, porque nem todos os que estão na UTI estão intubados. Alguns estão lá por possuírem outras necessidades, como a hemodiálise”, explica Rugolo.
‘CARTAS NA MANGA’
Como “cartas na manga” contra o colapso, o presidente da Famesp afirma ainda que consegue viabilizar mais 10 leitos de UTI emergenciais com demais manobras internas no HE. Seis deles, inclusive, já estão montados em uma nova ala, que deve ser aberta nos próximos dias. Deste total, quatro foram equipados com respiradores doados pela rede Tauste Supermercados.
Para inaugurar o espaço de forma definitiva, o hospital aguarda a chegada, ainda nesta semana, de mais 20 respiradores concedidos pelo governo do Estado.
“Há uma dificuldade operacional para abrir essa nova ala neste momento, porque precisaríamos deslocar médicos e profissionais de enfermagem apenas para esses leitos. Mas, estamos em processo de montar as novas equipes”, observa Rugolo.
O HE conta ainda com um projeto preparado para transferência de suas 11 UTIs pediátricas para o Centrinho da USP, mas ainda não há previsão para o fato. Rugolo explica, no entanto, que, mesmo sem a transferência, o hospital tem capacidade de realocar quatro dos 11 respiradores desta ala de crianças para a Covid-19.
REDE PRIVADA
Vale lembrar que a ocupação no limite em Bauru ocorre na rede pública. Nesta segunda-feira (4), a rede particular na cidade seguia com baixíssimos índices de internações, especialmente em terapia intensiva.
No Hospital da Unimed, nove pacientes estavam internados em enfermarias e apenas um em UTI. No Hospital Beneficência Portuguesa, a UTI também tinha apenas um paciente e a enfermaria, cinco. Já no Hospital São Francisco, o único paciente internado em razão de Covid-19 ocupava leito de enfermaria.
Paralelo às estratégias da rede pública em ampliar os leitos, Clodoaldo Gazzetta garante que já pode usar a rede privada, assim que for necessário.
Apesar disso, o que vigora entre o prefeito e hospitais particulares, por enquanto, é um pacto verbal firmado em reunião virtual. Ainda não existe um contrato assinado. Gazzetta garante, contudo, que o atendimento pode ocorrer, independentemente do que considerou como “formalidade”.
“Quando o HE chegou aos 100%, eu disse ao Sérgio [Henrique Antonio, secretário municipal de Saúde] que estava autorizada a internação na rede particular se mais pacientes graves chegassem às unidades de saúde. Já está pactuado por mim, independentemente de contrato”, afirma Gazzetta.
POTENCIAL
Segundo o JC apurou, a prefeitura recebeu, de um dos hospitais, proposta sobre o valor do aluguel de leitos. O documento é avaliado e detalhes não foram divulgados. “Os valores e o contrato com os hospitais privados serão decididos nos próximos dois dias”, pontua Gazzetta, revelando apenas que pretende contratar 20 UTIs e mais 30 leitos de enfermaria, neste primeiro momento.
Juntos, os hospitais privados de Bauru têm 53 UTIs disponíveis e potencial para dobrar essa capacidade, em caso de necessidade. Em razão deste cenário é que Gazzetta descarta, hoje, a instalação de um hospital de campanha no município.
O prefeito argumenta que o pagamento para a rede particular ocorrerá conforme o uso e que são os médicos da rede que definirão a necessidade de transferência para a internação. Ainda não há um consenso sobre qual hospital particular iniciará os atendimentos para a rede pública e se a medida contemplará, desde seu início, as três unidades privadas existentes na cidade.
SÓ PARA BAURU
O que já está certo, de acordo o prefeito, é que os leitos particulares acordados por Bauru não contemplarão pessoas da região. “São para pacientes que comprovadamente residam aqui”, afirma Gazzetta, dizendo que é de responsabilidade do Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6) a regulação das vagas em hospitais de outras cidades, caso o HE esteja lotado.
“Mas, em uma situação hipotética, se um paciente em estado muito grave de uma cidade vizinha chegar ao HE e não tiver vaga, claro que não o deixaremos sem retaguarda. Será algo excepcional, mas podemos ajudar e, depois, cobrar o prefeito”, relativiza Clodoaldo Gazzetta. JCNET
