Aliados do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, avaliam que o presidente Jair Bolsonaro decidiu empurrá-lo para fora do governo para ter o controle da Polícia Federal. Segundo esse grupo, o presidente já não se importa com o desgaste junto a seu eleitorado e está mais preocupado com o curto prazo.
Para esses aliados, Bolsonaro quer ter o comando da PF para evitar perder o controle sobre investigações em curso no órgão, principalmente a que apura a organização e o financiamento de atos antidemocráticos realizados no país no último domingo (19).
O caminho mais fácil seria demitir Sergio Moro. Porém, isso apenas aumentaria o desgaste do presidente junto a seu fiel eleitorado, que sempre apoiou também o ministro da Justiça por causa do combate à corrupção.
Daí a opção por criar uma situação em que Moro não teria outra opção a não ser pedir demissão e deixar o governo. Por isso, o presidente decidiu publicar nesta sexta-feira (24) a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, homem da confiança do ministro da Justiça.
Moro aparece no ato como se tivesse assinado a exoneração. Não assinou nem foi avisado que ela seria publicada. Ou seja, recebeu os sinais suficientes, na avaliação de seus aliados, de que ele não é mais respeitado no Palácio do Planalto.
O ministro da Justiça fará um pronunciamento às 11h desta sexta, no qual, segundo assessores, a tendência é ele anunciar sua saída do cargo. Com Moro fora do governo, Bolsonaro deve colocar um nome de confiança de seu grupo no lugar de Valeixo.
Se, por um lado, com a possível saída de Moro, o grupo de Bolsonaro pode passar a controlar a PF, por outro, o presidente lança no campo político um nome forte para disputar com ele a Presidência da República em 2022. Se deixar o governo neste momento, Moro sai como vítima de uma guinada do governo, que deixa em segundo plano o combate à corrupção, bandeira da última campanha presidencial. BLOG DO VALDO CRUZ
