A Prefeitura Municipal de Bauru pactuou junto à rede particular de hospitais da cidade o uso de leitos para Covid-19. A medida deve ser colocada em prática somente se o número de casos da doença aumentar muito e, assim, houver esgotamento na estrutura da rede pública.
O acordo foi firmado pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta em uma reunião, por meio de videoconferência, nesta última semana, com membros da direção de todos os hospitais de Bauru, públicos e privados. De acordo com Gazzetta, a cidade possui, hoje, 113 leitos de UTIs e 93 de enfermaria só para Covid-19, somadas as redes pública e particular. A taxa de ocupação do Hospital Estadual para a Covid-19 está em 62% .
O prefeito diz que todos os hospitais privados foram unânimes sobre a possibilidade de aumentar a capacidade de leitos para pacientes graves, caso haja necessidade do uso da estrutura privada pela máquina pública. “Os hospitais disseram que conseguem até dobrar o número de leitos de UTI que possuem. O acordo de cooperação mútua é algo que nos trouxe certo alívio neste momento”, diz Gazzetta.
“Vamos supor que o Hospital Estadual lote. Não seria nem humanitário ter pessoas em filas com insuficiência respiratória, tendo leitos em um hospital particular, mas sem acesso”, reforça o prefeito, explicando que o pacto foi um dos grandes motivos que para que ele postergasse a contratação um hospital de campanha na cidade neste momento.
Acredita-se que o número de leitos com respiradores na rede particular em Bauru esteja próximo de 60. Além desses, a expansão cogitada pelos gestores possibilitaria a abertura de 62 novos leitos de UTI, segundo a prefeitura. Essa ampliação ficaria por conta dos próprios hospitais, por meio de contratos específicos que eles já têm com empresas para locação de equipamentos.
O prefeito destaca que a abertura de novos leitos deve ocorrer de forma gradual, conforme a necessidade. E há a garantia de que a medida não irá prejudicar o atendimento já ofertado aos clientes dos planos de saúde.
Via SUS, atendem Covid-19 o Hospital Estadual e as UPAs. Já a rede particular da cidade é constituída por três hospitais, sendo dois da mesma cooperativa médica. “Com esse pacto, só não será suficiente se tivermos uma explosão de casos. Aí, sim, precisaríamos desencadear um conjunto de forças maiores, também com os hospitais de campanha”, pontua o prefeito.
PAGAMENTO
Gazzetta afirma que a ideia é que a prefeitura pague apenas pelo leito, por meio de uma cota de contraprestação permitida via decreto de calamidade pública, que já vigora no município.
Vale lembrar que hospitais das redes pública e particular cancelaram cirurgias não emergenciais desde o início da epidemia do novo coronavírus, o que tem gerado disponibilidades de leitos, especialmente nas unidades privadas.
‘MAIS PRUDENTE’
Por enquanto, Gazzetta não citou valores e nem detalhes dessa pactuação com os hospitais particulares, mas afirma que essa possibilidade é mais viável e prudente do que um hospital de campanha neste momento.
“Fica muito mais barato. É o pagamento por leito de um hospital já estabelecido, com equipe médica e insumos. E ainda tem muita coisa acontecendo. O governo federal mesmo parece ter previsão de transformar o Manoel de Abreu em hospital de campanha. Então, não gastaremos dinheiro com isso agora”, reforça.
O prefeito também disse que, na conversa com os diretores dos hospitais, surgiu a possibilidade de mais dois ou quatro leitos para Covid-19 serem abertos no Hospital de Base, que, até então, estava com atendimento restrito para outras especialidades e emergências médicas na cidade. Vale lembrar que a macrorregião atendida pelo Hospital Estadual envolve 18 cidades.
HE tem 62% de ocupação
A prefeitura afirma que a taxa de ocupação atual do Hospital Estadual (HE), unidade de referência da Covid-19 na cidade, é de 62%. Segundo os dados informados pelo município, 37 leitos estão ocupados com pacientes suspeitos do novo coronavírus.
Nesse montante, 15 deles estão internados na enfermaria adulto, um na enfermaria pediátrica e 21 nos leitos de UTI. JCNET
