A adesão ao isolamento social no estado de São Paulo subiu de 47% para 57% ontem, sexta-feira Santa (10). Segundo o governo estadual, para controlar a disseminação da Covid-19, o índice ideal é de 70%.
O estado nunca chegou a esta taxa: o ápice da quarentena em São Paulo ocorreu no último domingo (5), com 59% de adesão. O índice de isolamento social caiu 12,9% na última semana. O isolamento de 47% na quinta-feira (9) foi o menor índice registrado desde o início da quarentena contra o coronavírus.
O governador João Doria (PSDB) prometeu tomar medidas mais rígidas na segunda-feira (13), inclusive com prisão para quem desrespeitar as orientações, caso o isolamento não chegue a mais de 60% neste final de semana. Nesta sexta (10), o prefeito da capital, Bruno Covas, disse à GloboNews que atua em conjunto com o governo do estado e que medidas de “intervenção de algumas ruas” da cidade não estão descartadas.
A taxa de isolamento social do Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi-SP) é obtida por meio da geolocalização de smartphones monitorados pelas quatro principais operadoras de telefonia.
O sistema é atualizado diariamente e inclui informações de municípios com população maior que 30 mil habitantes. “As informações são aglutinadas sem desrespeitar a privacidade de cada usuário”, afirma o governo em nota.
Doria e Covas prometem novas medidas
Nesta sexta, o prefeito da capital, Bruno Covas, disse que são estudadas estratégias para fortalecer o isolamento social. Ele se disse preocupado com o afrouxamento da quarentena por parte da população paulistana.
“É necessário neste momento estudar formas de tornar mais forte esse isolamento social, então tanto a equipe estadual quanto a equipe do município estão verificando.
Devemos anunciar, ao lado do João Doria, novas medidas se for o caso”, disse Covas em entrevista à GloboNews. Entre as medidas avaliadas pela prefeitura estão bloqueios em algumas vias da capital.
Em entrevista ao SP2 nesta quinta, Doria disse que medidas mais drásticas podem ser aplicadas caso a quarentena continue a perder força no estado.
“Se nós não elevarmos para mais de 60% na próxima semana, a prefeitura [da capital] e o governo tomarão medidas mais rígidas. Eu queria evitar isso porque medidas mais rígidas significam que as pessoas poderão receber não só multa, advertência, mas também voz de prisão”, disse Doria à TV Globo.
“Se não houver, neste final de semana, consciência das pessoas, a partir da segunda-feira o governo tomará medidas mais rigorosas e mais duras, inclusive com a penalização e prisão das pessoas que desrespeitarem a orientação.
Eu espero que não tenhamos que chegar nesse patamar e nesse nível, mas se tivermos que fazer é pela preservação da vida”, completou.Segundo o secretário estadual da Saúde, o número de casos confirmados no estado seria 10 vezes maior sem isolamento social.
Taxa ideal é 70%
Na terça-feira (7), o infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, disse que o índice de isolamento estava em 54% e que o valor precisa aumentar para 70% para garantir que os leitos do estado sejam suficientes para os infectados.
Nós entendemos que depende um pouco da adesão, e ela precisa ser um pouco melhor, das medidas de afastamento,” completou. David Uip foi um dos infectados pela doença. Na segunda-feira (6), ele agradeceu por estar vivo e disse que passou “muito mal” enquanto estava doente.
Ele ficou em isolamento domiciliar durante 14 dias e retornou às atividades presenciais nesta segunda-feira (6) no Palácio dos Bandeirantes. Durante o isolamento, ele participou de reuniões virtuais com especialistas que combatem a doença no estado.
Aglomerações em SP
Neste domingo (5), uma fotógrafa registrou com drone várias pessoas reunidas na Praça do Pôr do Sol, no Alto de Pinheiros, Zona Oeste. Na quarta-feira (8), aglomerações se formaram em bancos e supermercados da Grande São Paulo.
Doria disse que nesta segunda-feira (6) que as pessoas que desrespeitarem a quarentena e fizerem aglomerações nas ruas do estado serão advertidas e orientadas, mas que se insistirem poderão ser presas pela Polícia Militar.
