O Hospital Estadual (HE) de Bauru está em processo de esvaziamento para se transformar na única unidade pública de referência ao atendimento da Covid-19 em Bauru e região (18 cidades vizinhas). O assunto já havia sido antecipado pelo JC e o anúncio oficial ocorreu em coletiva de imprensa ontem, quinta-feira (9).
Na ocasião, houve também a divulgação da abertura do Hospital das Clínicas (HC) da USP de Bauru, que deve ocorrer em 30 dias, com 40 novos leitos de baixa e média complexidade.
O novo hospital deve receber as transferências de pacientes hoje internados no HE, sem suspeita de Covid-19, funcionando como uma unidade de retaguarda do Hospital de Base (HB), que atende as demais especialidades e possui 28 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
Presidente da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), responsável pelo HE, Antonio Rugolo Júnior explica que algumas transferências já foram realizadas e que o Estadual opera atualmente com 80% de sua capacidade, que é de 330 leitos, sendo 50 deles UTIs. Pacientes de Acidente Vascular Cerebral (AVC), infarto e trauma, entre outras patologias, têm sido deslocados para o Hospital de Base.
“O ambulatório e as cirurgias eletivas pararam. Só as mais urgentes estão sendo feitas. Então, já houve alguma diminuição da ocupação de leitos. Há muitos anos trabalhávamos com a ocupação acima de 98% [recomendação da OMS é 85%]. Temos espaço para receber mais pacientes agora”, afirma Rugolo.
Além dos 50 leitos de UTI ativos, o HE possui mais dois reservas. E nem todos estão ocupados. Nos últimos dias, o hospital recebeu ainda a doação de quatro respiradores da rede Tauste Supermercados, o que ampliou sua capacidade para 56 leitos.
CRIANÇAS NO CENTRINHO
Do total de leitos do HE, dez são ocupados pela UTI pediátrica. Rugolo diz que estuda, junto à diretoria do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP, a transferência das crianças e adolescentes que não tenham Covid-19.
“Existe um movimento para liberar a UTI pediátrica e transferir nossos dez pacientes para o HRAC, ganhando mais dez leitos de adultos. Acredito que é algo que possa ocorrer na próxima semana”, diz Rugolo.
NOVOS LEITOS ANUNCIADOS
Durante a coletiva desta quinta (9), o secretário adjunto da Secretaria Desenvolvimento Regional, Rubens Cury, anunciou, junto ao prefeito Clodoaldo Gazzetta, outros 27 novos leitos de UTI para o HE, o que aumentaria o total para 83. A expectativa de ambos é de que a ampliação ocorra em 30 dias, mas há entrave na compra de equipamentos.
“O grande problema são os insumos. O governo federal centralizou a compra dos respiradores. Então, mesmo que o governo estadual e o município queiram comprar, não há essa possibilidade. Porém, há uma ação do governo do Estado para que isso se resolva e os equipamentos possam ser comprados”, observa Rubens Cury.
Gazzetta diz que o município também acionou o Ministério Público sobre o assunto. “São ações que serão fundamentais para enfrentarmos epidemia como uma cidade bem preparada”, cita o prefeito, referindo-se aos novos leitos e à abertura do novo hospital.
ABERTURA DO HC
No cenário mais otimista, a expectativa é de que o Hospital das Clínicas abra as portas em 30 dias. A compra de equipamentos e o custeio serão feitos totalmente pelo Estado, por meio de repasse de R$ 3 milhões mensais. A gestão será da Famesp, que já possui outros contratos na cidade junto à Secretaria de Saúde do Estado.
Antonio Rugolo Jr. diz que as contratações de profissionais ocorrerão de forma emergencial e que a equipe deve receber um treinamento de até 15 dias, na sequência. “Vou fazer força para que, em 30 dias, esteja aberto. Dependemos dos fornecedores e indústrias entregarem o que precisamos”, avalia o gestor.
Durante o anúncio do novo hospital, Rubens Cury garantiu que a unidade deve receber mais investimentos no futuro. “Uma vez aberto, ele será o que todos sonhamos, um dia. Um Hospital de Clínicas com cirurgias e alta complexidade. A cidade e a região merecem”, afirma.
Presente na cerimônia, o superintendente do HRAC/Centrinho, Carlos Ferreira dos Santos, lembrou da necessidade de assinatura de um termo de cooperação técnica entre o Estado e a USP, como forma de garantir o custeio. Rubens Cury disse que essa assinatura independe da abertura dos 40 leitos e que a formalidade é “algo posterior a isso tudo”.
Oncologia e queimaduras ficam
Além da Covid-19, as únicas especialidades que o Hospital Estadual continuará atendendo, por enquanto, são a oncologia e a ala de queimaduras, setores em que o HE é referência Estado afora. A transferência total desses atendimentos por etapa, contudo, também não é descartada diante da proporção da pandemia.
Hoje, os quatro leitos da UTI para queimados estão em uso para a Covid-19. Metade do segundo andar do HE, aliás, está fechada para a doença. “Ainda temos leitos vagos e não há a necessidade de aumentar, mas quando tiver, iremos ampliar”, finaliza Antonio Rugolo Júnior. JCNET

