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Uma pandemia fora de controle’

by nevadaduartina abril 5, 2020 No Comments

Ao entrar no gabinete do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSDB), no Palácio das Cerejeiras, qualquer visitante percebe que as poltronas estão posicionadas de maneira intencional, com cerca de 1,5 metro de distância entre si, respeitando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto à prevenção ao novo coronavírus.

Mas o ambiente denota toda a carga de responsabilidade sobre o detentor do cargo público mais importante da cidade. Entre uma videoconferência e outra, reuniões, telefonemas etc, o chefe do Executivo municipal arrumou um tempo para atender à reportagem. Em sua mesa, o álcool em gel, produto que ele não costumava utilizar, se tornou o seu mais importante instrumento de trabalho.

Isso porque Gazzetta, assim como todos os demais munícipes, se preocupa com a própria família. Inclusive, chegou a se emocionar ao falar da mãe, de 87 anos, cuja idade a encaixa no grupo de risco da doença. Pensando nos seus e no restante da cidade, ele afirma que age como se o município já vivesse uma epidemia fora de controle. Abaixo, o prefeito detalha as atitudes que vem tomando.

Jornal da Cidade – Hoje, qual é o maior desafio envolvendo a Covid-19?

Clodoaldo Gazzetta – Sem dúvida alguma, a conscientização das pessoas de que a pandemia é verdadeira e, depois da gripe espanhola, não há precedentes semelhantes na história da humanidade. Se não tomarmos as providências sanitárias, como estamos fazendo, a doença pode afetar todo mundo, não tem grupo de risco, afinal, o seu comportamento varia de organismo para organismo.

Para a nossa geração, seguir as regras atuais consiste em uma grande novidade e os cidadãos acreditam que tudo voltará ao normal dentro de alguns dias, fato que não ocorrerá. A nossa vida nunca mais será a mesma depois do coronavírus, em todos os sentidos: sociais, econômicos, comportamentais etc.

JC – O que a prefeitura vem fazendo em termos de conscientização?

Gazzetta – Primeiro, informando que estamos em uma pandemia, de maneira transparente. Inclusive, a cidade já abriga pessoas infectadas e a chamada transmissão comunitária. Participo de lives, pelas redes sociais, quase todos os dias e, ainda, colocamos carros de som nas ruas.

Além disso, distribuímos material gráfico e contamos com a colaboração da imprensa, que trata o assunto com bastante seriedade. No entanto, converter informação em conscientização é o nosso grande gargalo. Mesmo assim, a Prefeitura de Bauru e a Câmara de Vereadores têm feito muito.

JC – Muitos falam que as autoridades escondem a realidade. Qual é o seu recado para quem acredita nisso?

Gazzetta – Até agora, nós mostramos que a cidade abriga quase 200 suspeitas da doença, espalhadas por todas as regiões. O problema envolvendo a demora na obtenção dos resultados não é exclusivo do Brasil. Isso pode passar a falsa ideia de que escondemos informações.

Muito pelo contrário, eu estou agindo como se vivêssemos uma pandemia fora de controle. Nós conseguimos, por sorte, ver o que aconteceu em outras cidades que não tiveram tempo de tomar qualquer atitude preventiva ou, ainda, negligenciaram a situação.

JC – Você acredita em divergência dos municípios e estados em relação à União?

Gazzetta – Na verdade, não há divergência. Hoje, os governos, enquanto instituições, falam a mesma língua. Se você pegar a Organização Mundial da Saúde, que dita as regras sanitárias internacionais, o governo brasileiro reproduz todas as suas recomendações, os Estados e os municípios, todos estão em sintonia.

A única voz destoante é a do presidente da República, que perdeu a noção de uma situação que foge de qualquer ideologia. Não faço uma crítica a ele como figura pública, mas a alguém que não quer enxergar o que acontece em mais de 100 países do mundo.

JC – A cidade está preparada para o chamado pico epidemiológico?

Gazzetta – Estamos criando uma estrutura para tanto. Já fizemos algumas ações importantes e a principal delas é o isolamento social. Quanto à retaguarda hospitalar, o município possui 119 respiradores e 163 leitos de UTI, dos quais 50 estão destinados à Covid-19, mas o número poderá subir.

Além disso, discutimos a montagem de um hospital de campanha, que deverá funcionar no prédio do HC, em uma parceria junto ao governo estadual. Eu também pretendo tomar a decisão, nesta semana, de criar um hospital de campanha da prefeitura, com outros 50 leitos de UTI.

Montei, ainda, o Posto Avançado da Covid-19, o PAC. Logo, temos condições de atender até 200 pessoas por semana. Se passar disso, entraremos em colapso, motivo pelo qual a curva epidemiológica precisa ficar achatada.

JC – E o transporte dos infectados?

Gazzetta – Estou providenciando a compra de quatro UTIs móveis. Os EUA enfrentaram um problema seríssimo envolvendo a falta destes veículos. Paralelamente, existe a questão dos testes, que são fundamentais até para você separar, na UTI, os pacientes da Covid-19 e os demais.

Acertamos com a unidade local do Adolfo Lutz, que fará os exames por aqui. Em breve, comprarei alguns equipamentos para eles, como cabine biológica e freezer. Agora, negócio com o governo estadual para que o Lauro de Souza Lima e a FOB/USP também sejam credenciados.

JC – De onde sairá dinheiro para toda esta estrutura?

Gazzetta – Até o momento, gastamos R$ 5,2 milhões, referentes ao pagamento das parcelas da Cohab, para o enfrentamento da epidemia. Com o dinheiro, já adquiri um tomógrafo (R$ 1 milhão), que será instalado no Centro de Diagnóstico por Imagem.

Eu também montei o Posto Avançado (R$ 500 mil) e comprei EPIs (R$ 2,6 milhões), além das ambulâncias (R$ 510 mil). O município conta, ainda, com doações do Tribunal de Justiça de São Paulo, bem como uma verba de R$ 3,7 milhões, oriundos do Estado.

JC – Para você, o cenário é pessimista?

Gazzetta – O cenário mundial é dramático, mas, em Bauru, criamos todas as possibilidades para que não se torne pessimista.

JC – Qual é o impacto político da pandemia?

Gazzetta – É o fato de parte da população imaginar que, por termos uma eleição próxima, os governantes usem a atual situação para se promover. Posso falar em nome de todos os prefeitos: não estamos preocupados com o pleito de outubro.

JC – Falando nisso, você acredita que haverá eleições neste ano?

Gazzetta – Não tenho qualquer dúvida de que não teremos pleito. Os candidatos não poderão sair às ruas, afinal, o vírus ainda estará circulando. Fora o dinheiro do Fundo Partidário e dos próprios candidatos. Gastar tamanha quantia sabendo que a Saúde precisa dela seria irresponsável.

JC – O que será dos estabelecimentos comerciais depois de terça-feira, dia 7 de abril?

Gazzetta – As pessoas imaginam que este será o Dia D para a reabertura do comércio. Antes, pretendemos avaliar a nossa curva epidemiológica. Se ela estiver abaixo das nossas perspectivas, existe a possibilidade de autorizarmos o funcionamento de forma diferente da atual. Por exemplo, aqueles locais que deixaram de atender o público poderão fazê-lo desde que permitam a entrada de um ou dois clientes por vez.

JC – Você tem medo de ser infectado?

Gazzetta – Não. Você imagina o prefeito da cidade, que tem a responsabilidade de cuidar de 400 mil pessoas, fugir neste momento? Jamais. Só temo pela minha família [se emocionou], já que eu tenho a minha mãe, de 87 anos. Por isso, fico mais de uma semana sem vê-la. Também me preocupo com a minha esposa e a minha filha.

JC – Então, quais cuidados pessoais passou a adotar?

Gazzetta – Antes de entrar em casa, deixo os sapatos de lado. Na lavanderia, tiro toda a minha roupa e coloco na máquina de lavar, que esteriliza as peças com uma temperatura elevada. Depois, sigo para o banho. No dia a dia, uso álcool em gel e mantenho a distância mínima de 1,5 metro entre as pessoas.

JC – O que você aprendeu com a pandemia?

Gazzetta – O mesmo que ela ensina para todo mundo: solidariedade. Eu também acho que as minhas decisões ficaram mais duras e este não é o meu perfil.

JC – Quantas horas você dorme por noite?

Gazzetta – Eu chego em casa às 22h e acordo às 6h. Costumo ter um sono tranquilo. Nas últimas duas semanas, fiquei três noites sem dormir, mas isso não afeta a minha disposição.

JC – Por qual motivo?

Gazzetta – Na última semana, por exemplo, tivemos 35 casos suspeitos em um dia só e não dormi direito. A minha preocupação é não enxergar a luz no fim do túnel. JCNET

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Nivaldo José

Jornalista e Radialista com mais de 25 anos de experiência em veículos de comunicação/Rádios em Bauru. Tenho como objetivo oferecer um serviço de conteúdo com responsabilidade priorizando sempre a verdade dos fatos. A credibilidade adquirida nesse período também me compromete com as fontes de informação, o que garante a qualidade do meu trabalho.

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