O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), entregou hoje, sábado (28) à Polícia Civil dez números de celulares e prints das ameaças que recebeu por WhatsApp após ter discutido com o presidente Jair Bolsonaro, sem partido, numa reunião por videoconferência, na quarta-feira (25), para tratar das ações de combate ao coronavírus.
As ameaças de agressão e xingamentos contra Doria foram feitos na quinta-feira (26). O advogado do governador, Fernando José da Costa, elaborou um documento com as imagens do que foi dito contra o político. Os autores do crime ainda não foram identificados.
Segundo o G1 apurou, uma das ameaças cobra que o governador suspenda a determinação de fechar o comércio, do contrário irá até a residência dele, na capital. A decisão de Doria por fechar algumas lojas não consideradas essenciais para a população irritou quem o ameaçou.
Outras mensagens acusam o governador de vender álcool em gel, o chamam de traidor e o xingam com palavrões por ser favorável ao isolamento social para reduzir a propagação da doença no estado de São Paulo.
“Um homem público como o governador João Doria aceita críticas, mesmo que ásperas, todavia qualquer pessoa que o ameace ou ofenda sua honra será processado criminalmente”, falou o advogado neste sábado à reportagem.
Doria já havia feito boletim de ocorrência do caso na madrugada de sexta-feira (27) alegando ter recebido telefonemas e mensagens em seu celular pessoal, na noite de quinta, com ameaças a ele e a casa onde mora com sua família.
‘Gabinete do ódio’
Ainda na sexta, durante coletiva de imprensa para tratar das medidas adotadas para conter o avanço da Covid-19 em São Paulo, Doria atribuiu as ameaças ao ‘gabinete do ódio’. “Não haveria momento mais inadequado para fazer conflagração do que agora. Deveríamos estar unidos para salvar vidas.
Ás 21h30 de ontem comecei a receber mensagens no WhatsApp e telefonemas com expressões chulas e com xingamentos de pessoas instruídas que foram instruídas pelo gabinete do ódio de Brasília que, nos últimos 15 meses, só tem produzido isso, erros e instabilidade na vida do país”, afirmou Doria.
Discurso do presidente
A discussão dentre Doria e Bolsonaro ocorreu porque o governo paulista defende, com base em experiências internacionais e médicas, o isolamento social para evitar a propagação da Covid-19, enquanto o presidente defendeu, em pronunciamento na TV, na terça-feira (24), que haja o isolamento vertical (de apenas idosos e pessoas de risco).
“Na condição de cidadão, de brasileiro, e também de governador início lamentando os termos do seu pronunciamento à Nação. O senhor como presidente da república tem que dar o exemplo. Tem que ser mandatário para comandar, para dirigir, liderar o país e não para dividir”, disse Doria, criticando o discurso de Bolsonaro.
“Subiu à sua cabeça a possibilidade de ser presidente da República. Não tem responsabilidade. Não tem altura para criticar o governo federal, que fez completamente diferente o que outros fizeram no passado. Vossa excelência não é exemplo para ninguém”, declarou.”, rebateu o presidente, criticando o governador.
Apesar disso, alguns atos favoráveis ao discurso do presidente foram feitos em algumas cidades pedindo a suspensão das medidas de quarentena, contrariando assim recomendações das autoridades da área de saúde no Brasil e no mundo. G1
