Gasparini Jr. esteve na Cohab na tarde de ontem
O ex-presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) Edison Bastos Gasparini Jr. esteve ontem à tarde sexta-feira (13) na sede da companhia. A presença dele, que não entrava no prédio desde o seu afastamento, em dezembro do ano passado, causou alvoroço entre os funcionários.
Coronel Meira, que foi ao local quando soube, disse que Gasparini afirmou, entre outras coisas, que vai pagar por seus erros e assumiu desfalques milionários. Segundo o JC apurou, ele esteve na Cohab para buscar documentos relativos à sua rescisão. Isso permitiria, inclusive, o acesso de Gasparini Jr. ao seu FGTS.
De acordo com funcionários da companhia, que preferem não se identificar, e que tiveram contato com o ex-presidente ontem, Gasparini Jr. ficou por pouco tempo, durante o começo da tarde, e conversou com algumas pessoas com quem mantinha mais contato no período em que estava no comando da empresa.
Apesar de investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), não há, legalmente, nada que impeça a presença de Gasparini Jr. na Cohab. Um dos setores visitado por ele foi o de Departamento Pessoal, justamente por conta dos documentos. Ainda segundo apuração do JC, ele não portava nenhum outro material ao sair da companhia.
BATE-BOCA
O vereador Coronel Meira, parlamentar que sempre foi crítico a Gasparini Jr. e denunciava problemas na Cohab desde o começo do mandato, encontrou o ex-presidente na entrada da companhia. Os dois chegaram a discutir, pois Meira passou a questionar a presença de Gasparini no local após tudo o que já foi divulgado sobre os problemas ocorridos na Cohab.
Meira informou ao JC que durante o ríspido diálogo o ex-presidente assumiu que fez os desvios milionários. O vereador levará as informações ao Gaeco. O presidente Arildo Lima Jr. afirma que não teve contato com Gasparini Jr. “Eu não falei com ele.
O Gasparini foi lá no horário de almoço, fui avisado, mas ao retornar ele já tinha saído. Acabei conversando apenas com o vereador Meira, que foi até a Cohab ao saber da presença dele”, afirmou. O MP-SP foi informado, ainda na tarde de ontem, sobre a passagem de Gasparini Jr. na sede da companhia. Procurado, o ex-presidente não atendeu aos telefonemas do JC.
Apuração
O Gaeco apura contratos firmados entre a Cohab e construtoras no período em que Gasparini Jr. era presidente. A Operação ‘João de Barro’ ainda investiga saques de R$ 400 mil mensais, entre 2007 e 2019, totalizando cerca de R$ 55 milhões, sem notas ou recibos comprovando o destino do montante.
No dia em que a operação foi deflagrada, os promotores encontraram ainda 1,6 milhão em notas de real, 30 mil em notas de dólar norte-americano e valores menores em euro e libras esterlinas na casa de Gasparini Jr. Na ocasião, ele disse que o dinheiro era proveniente de negócios no setor agropecuário.
Além da investigação do MP-SP, há uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal. Nas oitivas, funcionários já falaram sobre a falta de pagamento do seguro e os saques ocorridos nos últimos anos, em bancos, com os malotes entregues diretamente a Gasparini Jr. na sede da companhia. JCNET
