PA Rio de Janeiro (RJ) 03/07/2019 – Entrevista com Gustavo Bebianno na casa do empresário Paulo Marinho no Jardim Botânico. Foto Alexandre Cassiano Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
O ex-secretário geral da Presidência, Gustavo Bebianno, afirmou ontem, segunda-feira (02), que um delegado da Polícia Federal participou da tentativa de montagem de uma Agência Brasileira de Inteligência (Abin) paralela, por iniciativa do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). Questionado se o delegado seria o atual diretor da Abin, Alexandre Ramagem, Bebianno preferiu não responder.
– Eu lembro o nome do delegado. Mas não vou revelar por uma questão institucional e pessoal – afirmou o ex-ministro, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, exibido ao vivo. Bebianno disse que o episódio aconteceu nos primeiros meses do governo, quando Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) apareceu com os nomes de um delegado federal e de três agentes que fariam parte de uma suposta Abin paralela.
Segundo Bebianno, ele e o então ex-ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido meses depois, desaconselharam o presidente, sob o argumento de que a medida poderia motivar impeachment. Bebianno ainda acusou Carlos Bolsonaro de comandar um “gabinete de ódio” no Planalto, onde, segundo o ex-ministro, são fabricadas notícias falsas.
– Eu disse ao presidente que as notícias falsas não podiam estar dentro do Planalto porque poderiam dar em impeachment. Mas a pressão que o Carlos faz é tão grande que o pai não consegue se contrapor ao filho. É como aquela criança que quer um presente no shopping, esperneia e o pai não tem pulso para dizer não – contou Bebianno. O Globo
