As investigações do Caso Cohab voltaram a correr sob segredo de Justiça, após pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
A solicitação, acolhida pelo juiz Fábio Bonini, da 4ª Vara Criminal de Bauru, tem o objetivo de preservar informações contidas em documentos pessoais que começaram a ser juntados aos procedimentos investigatórios criminais (PICs) ontem, quinta-feira (27).
Tratam-se de papéis, tais como contratos, recolhidos em residências e empresas em dezembro do ano passado, quando o Gaeco deflagrou a Operação “João de Barro”. Na ocasião, também foi apreendido 1,6 milhão em notas de real, 30 mil em notas de dólar norte-americano e valores menores em notas de euro e libras esterlinas na casa do ex-presidente da Cohab Edison Bastos Gasparini Jr.
As investigações deixaram de ficar sob sigilo por apenas uma semana, entre 20 e 26 de fevereiro. E a expectativa é de que o segredo de Justiça não seja novamente derrubado até o final das investigações, quando os envolvidos podem vir a ser formalmente acusados no âmbito da Justiça.
Até o momento, os promotores ouviram funcionários e ex-funcionários da Cohab. A previsão é de que os ex-diretores, incluindo Gasparini, só sejam ouvidos na reta final das investigações. Entre os crimes apurados estão desvio de dinheiro público da companhia, participação de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Já os empresários investigados serão ouvidos em PICs individuais instaurados pelo Gaeco para apurar possíveis irregularidades em quatro acordos feitos pela Cohab para pagar construtoras, mas sem a devida formalização na Justiça.
EM ESPERA
Novos depoimentos deverão ocorrer somente após a análise mais aprofundada da documentação apreendida. Os arquivos digitais, por exemplo, ainda estão sendo extraídos pelo Centro de Apoio Operacional à Execução (CAEx) do Ministério Público, na Capital paulista, para posterior análise do Gaeco.
O promotores aguardam, ainda, que a Cohab remeta informações relacionadas ao seguro habitacional das unidades construídas pela companhia, consideradas fundamentais para o rumo das investigações.
Conforme o JC divulgou, o procedimento principal também segue com apurações sobre possíveis desvios de dinheiro público, incluindo as circunstâncias dos saques mensais, relatados por funcionários em oitivas, de cerca de R$ 400 mil em dinheiro entre 2007 e 2019, totalizando cerca de R$ 55 milhões. JCNET
