O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), concluiu nesta semana a primeira etapa de depoimentos na Operação ‘João de Barro’, deflagrada no final do ano passado para apurar irregularidades na Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab).
Na semana que vem, os promotores vão confrontar o que foi registrado nas dez oitivas com o material apreendido na companhia e em outros endereços, e também com documentos entregues pela própria Cohab nas últimas semanas. Já os arquivos digitais ainda serão decupados por uma equipe especializada do MP na capital paulista, e depois voltarão para análise do Gaeco.
Até o momento, todos os depoimentos foram de funcionários e ex-funcionários da Cohab. Entre as revelações feitas, está a dos saques mensais de R$ 400 mil em média, em dinheiro, sem comprovantes do destino que essa verba teve, entre 2007 e 2019, totalizando cerca de R$ 55 milhões.
Outro dado já apurado é que o então presidente Edison Bastos Gasparini Jr., que deixou o cargo no início da operação, pouco movimentava dinheiro em contas bancárias, usando praticamente apenas valores em espécie.
Foram encontrados mais de 1,6 milhão em notas de real e 30 mil em notas de dólar norte-americano na casa de Gasparini Jr., e ainda valores menores em euro e libras esterlinas, dinheiro que ele alegou ser proveniente de negócios agropecuários.
O Gaeco também apura denúncias de irregularidades nos contratos da Cohab com quatro construtoras, em que houve pagamento antes da confirmação de acordo na Justiça. O MP ainda investiga viagens internacionais de diretores da companhia.
O ex-presidente Gasparini Jr. e outros diretores ainda serão ouvidos, após análise de todo o material já em posse do Gaeco e também com o resultados dos depoimentos feitos até agora. O prazo para conclusão das apurações é de, pelo menos, mais cinco meses. Por enquanto, o MP não confirma se há envolvimento de agentes públicos na apuração realizada.
MAIS ARQUIVOS
Vários documentos da Cohab foram apreendidos pelo Gaeco, e outros foram solicitados para a atual diretoria da companhia. O presidente Arildo Lima Jr. afirma que falta apenas um relatório para cumprir com todos os pedidos do MP e que este documento pendente vai ser entregue até quarta-feira (12).
Arildo Lima Jr. destaca que a Cohab estará à disposição para mais esclarecimentos, tanto do MP como da Câmara, que pretende abrir uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) a partir da semana que vem. Na próxima quinta-feira (13), também está prevista uma audiência pública, chamada pela vereadora Chiara Ranieri (DEM), para discutir as dívidas da Cohab e a situação atual da companhia habitacional.
Em Ribeirão Preto
O presidente da Cohab de Bauru, Arildo Lima Jr., estará na Cohab de Ribeirão Preto nesta segunda-feira, para conhecer o processo de redução da companhia de lá, que tem atualmente 35 funcionários e optou por uma redução da empresa, e não por uma liquidação extrajudicial.
Em Bauru, a Cohab tem 64 funcionários, e já foi anunciado, conforme o JC antecipou na semana passada, o corte de 20% de servidores – cerca de 12 demissões – previstas para este mês. Ainda não está definido se a Cohab será reduzida aos poucos ou entrará em liquidação. JCNET
