A volta à pauta da recriação do Ministério da Segurança Pública pegou aliados do ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) de surpresa. O pleito – antigo, de alguns parlamentares – foi discutido pelo presidente Jair Bolsonaro com secretários de segurança pública, que estiverem em Brasília ontem, quarta-feira (22).
Em reunião, eles discutiram medidas para diminuir a criminalidade – e pediram a recriação do ministério voltado especificamente para a área. A pasta foi criada no governo Michel Temer e incorporada ao Ministério da Justiça quando Bolsonaro assumiu o Executivo, para turbinar o ministério comandado por Moro.
Parlamentares ouvidos pelo blog que apoiam a volta da pasta se queixam que Moro prioriza o combate à corrupção, secundando a área de segurança pública, uma das principais preocupações da população brasileira. Auxiliares do ministro Moro rechaçam essa avaliação, afirmando que ações da pasta têm reduzido os números de criminalidade e violência pelo país.
O pano de fundo de toda discussão, no entanto, é o guarda-chuva das polícias – principalmente da Polícia Federal –, atualmente comandada pelo Ministério da Justiça. Quando o Ministerio da Justiça foi desmembrado no governo Temer, a pasta ficou esvaziada, porque a Segurança Pública ficou responsável por Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança.
Moro não participou da reunião desta quarta com secretários e o presidente Bolsonaro. O Ministério da Justiça informou que Moro não participou do encontro com os secretários porque estava em uma reunião sobre crimes cibernéticos com representantes do governo dos Estados Unidos.
Segundo o blog apurou, Moro, nos bastidores, avalia que não há motivos para alarme, já que acredita que o presidente ter dito que iria estudar as questões dos secretários não significa que o governo fará a divisão das pastas. Na manhã de hoje, quinta-feira (23), antes de embarcar para uma viagem oficial à Índia, Bolsonaro falou sobre o assunto.
Ele disse que a recriação da pasta da Segurança Pública está sendo analisada dentro do governo e que o próprio Moro participa das conversas. Para Bolsonaro, é natural que o ministro, a princípio, apresente contrariedade à medida.
“Se for criado [o Ministério da Segurança], daí ele [Moro] fica na Justiça. O que era inicialmente. Tanto é que, quando ele foi convidado, não existia ainda essa modulação de fundir com o Ministério da Segurança”, concluiu Bolsonaro. BLOG DA ANDREIA SADI/G1
