O Ministério Público Federal apresentou denúncia hoje, terça-feira (21), contra sete pessoas, incluindo o jornalista Glenn Greenwald, pela invasão do Telegram de autoridades públicas. O caso é investigado na Operação Spoofing.
Para o procurador Wellington Divino Marques de Oliveira, da Procuradoria da República no Distrito Federal, Glenn Greenwald foi “partícipe” nos crimes de invasão de dispositivos informáticos e monitoramento ilegal de comunicações de dados, além de ter cometido o crime de associação criminosa.
Dentre os alvos das invasões estavam o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o coordenador da força-tarefa da Lava-Jato de Curitiba, Deltan Dallagnol. Segundo as investigações, as conversas copiadas do Telegram de Deltan foram repassadas ao site “The Intercept Brasil” e subsidiaram reportagens com base nos diálogos.
O MPF concluiu que o hacker Walter Delgatti Neto foi o “responsável direto e imediato” pelas invasões do Telegram de 176 pessoas, utilizando uma brecha no sistema. Além disso, a Procuradoria concluiu que Delgatti, após as invasões, monitorou as conversas de 126 pessoas em tempo real.
Acusação contra Glenn
A investigação da Operação Spoofing teve acesso a diálogos entre um dos hackers e Glenn Greenwald. Segundo a denúncia, as conversas de Greenwald com uma das pessoas do grupo de hackers mostrariam que ele orientou o grupo a se desfazer das mensagens e apagar provas que pudessem vinculá-los às invasões.
“Diferentemente da tese apresentada pelo jornalista, Glenn Greenwald recebeu o material de origem ilícita enquanto a organização criminosa ainda praticava condutas semelhantes, buscando novos alvos, possuindo relação próxima e tentando subverter a noção de proteção ao ‘sigilo da fonte’ para, inclusive orientar que o grupo deveria se desfazer das mensagens que estavam armazenadas para evitar ligação dos autores com os conteúdos ‘hackeados’, demonstrando uma participação direta nas condutas criminosas”, diz a denúncia.
As conversas estão anexadas à denúncia. No documento, o procurador aponta que não foi possível aprofundar as investigações sobre Glenn Greenwald, porque existe uma decisão liminar vigente que o impedia de ser investigado.
Outros acusados
Segundo o MPF, Luiz Henrique Molição também atuou diretamente na invasão e na negociação da divulgação das conversas com Greenwald. Já Thiago Eliezer desenvolveu técnicas para a invasão dos dispositivos e teria conhecimento dos crimes, de acordo com a denúncia. Os outros três denunciados — Gustavo Henrique, Suelen e Danilo — atuaram de forma secundária, auxiliando Delgatti com contas bancárias e em outros crimes.
“Walter exercia a função de líder da organização criminosa, atuando de maneira coordenada com Gustavo e Thiago na obtenção e desenvolvimento dos mecanismos utilizados pelo grupo para o cometimento de crimes cibernéticos contra o sistema bancário, operando diversos tipos de fraudes bancárias e furtos mediante fraude, por meio de programas maliciosos e engenharia social”, diz a denúncia.
No relatório, o delegado Luiz Flávio Zampronha escreveu: “Assim, pelas evidências obtidas até o momento, não é possível identificar a participação moral e material do jornalista Glenn Greenwald nos crimes investigados”.
Marques é o mesmo procurador que denunciou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Felipe Santa Cruz por suposto crime de calúnia contra o ministro Sergio Moro, por declarações concedidas por Santa Cruz. A denúncia foi rejeitada pela Justiça Federal. O Globo procurou os sete denunciados e aguarda resposta. O Globo/G1
