A mudança de comando na Argentina, com a posse do presidente Alberto Fernández e da vice-presidente Cristina Kirchner, pesou a favor do Brasil na corrida para entrar na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Segundo assessores do presidente Jair Bolsonaro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu fazer um gesto positivo para o Brasil e, ao mesmo tempo, demonstrar que não concorda com a linha econômica dos novos comandantes da Argentina.
Em outubro, ainda durante o período eleitoral no país vizinho, os Estados Unidos enviaram carta à OCDE manifestando apoio à entrada da Argentina na organização. Na época, o nome do Brasil não foi citado no documento, o que foi classificado como um desprestígio para o governo brasileiro.
A iniciativa do governo americano foi uma busca de ajudar o então presidente argentino, Maurício Macri, que acabou perdendo a eleição para Alberto Fernández. Agora, Trump decidiu dar ao Brasil o “apoio prioritário” para que seja o próximo país do continente americano a ingressar na OCDE, tirando a Argentina do posto.
Antes, a alegação era que o governo argentino estava na frente do Brasil por uma questão cronológica, o processo estava tramitando a mais tempo que o do governo brasileiro. Agora, esse argumento foi substituído pelo de que o Brasil atende a mais requisitos para entrar na entidade.
A decisão americana não significa que o Brasil já terá seu processo encaminhado automaticamente. A posição dos Estados Unidos terá de ser negociada com os outros países-membros da organização. Esse debate vai acontecer nesta quarta-feira (15), em reunião do conselho do OCDE em Paris.
Além da troca de comando na Argentina, também pesou o fato de o Brasil, nos bastidores, ter enviado a mensagem ao governo americano de que estava avaliando que o relacionamento com os Estados Unidos estava desfavorável ao país.
