(foto: FRANCISCO BATISTA/ afp )
O governo de Nicolás Maduro divulgou um comunicado oficial ontem, domingo (29/12) para contestar a decisão do Brasil de manter em solo nacional os cinco militares venezuelanos que foram localizados na última quinta-feira (26/12) na fronteira entre os dois países, em Roraima.
O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, classificou a atitude do Palácio do Planalto de “insólita” e acusou o Brasil de se converter “em cúmplice de atividades armadas contra países vizinhos e o protetor dos delinquentes e mercenários que as protagonizaram”.
Ele ainda garantiu que vai denunciar as autoridades brasileiras ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. O chanceler da Venezuela afirma que os cinco militares foram responsáveis por um assalto ao 513º Batalhão de Infantaria da Selva Mariano Montilla, localizado em Luepa, cidade ao sul do país, no domingo passado (22/12).
Na ocasião, de acordo com o governo de Maduro, os militares teriam roubado 120 fuzis de assalto e nove lança-granadas “em uma operação violenta em que perdeu a vida um soltado de nossa Força Armada Nacional Bolivariana”.
“O Governo da República Bolivariana da Venezuela rechaça categoricamente a decisão do governo da República Federativa do Brasil de dar condição de refugiados aos cinco terroristas. Deve se destacar que este grupo de terroristas confessou mediante registro audiovisual público, notório e comunicacional, sua responsabilidade e participação e feitos tão graves”, informou Arreaza, na nota oficial publicada neste domingo.
No sábado (28/12), a Venezuela havia iniciado os procedimentos para pedir que o Brasil entregasse os cinco militares. Diante da negativa por parte do governo brasileiro, os venezuelanos declararam que “insistirão em reivindicar a entrega imediata deste grupo de delinquentes, ao passo que denunciará a posição demonstrada pelas autoridades brasileiras nas instâncias internacionais pertinentes”.
“Esse tipo de decisões do governo brasileiro é parte da ilegal e perigosa ativação do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, cujo propósito se orienta em gerar as condições para uma intervenção militar na Venezuela”, frisou Arreaza.
O chanceler de Madurou não poupou críticas ao presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, “o povo da Venezuela tem certeza de que o povo brasileiro jamais acompanharia decisões temerárias como as que tem tomado o debilitado governo de Jair Bolsonaro”.
“Caberia perguntar às autoridades políticas e militares do Brasil qual seria suas reações se a Venezuela desse proteção jurídica a desertores do seu exército, fugindo de um ataque a instalações militares brasileiras, praticado para gerar angústia em sua população”, garantiu Arreaza.
Ainda conforme o comunicado, o ministro venezuelano “denuncia ante a comunidade internacional esta insólita decisão que confirma o padrão de proteção e cumplicidade de governos satélites dos Estados Unidos para agredir a paz da Venezuela através de mercenários que confessaram seus crimes, sobre os quais existe demonstrada convicção de provas, treinados, pagos e protegidos por governos de países vizinhos”.
Itamaraty não quis comentar
Por telefone, a assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores informou que não iria se posicionar sobre o comunicado deste domingo. No último posicionamento da pasta, feito no sábado (28/12), o governo federal afirmou que trata o caso como de refugiados.
Em nota conjunta com o Ministério da Defesa, o Palácio do Itamaraty informou que os cinco militares venezuelanos “foram recebidos neste sábado pela ‘Força Tarefa Logística Humanitária Operação Acolhida’, onde iniciarão os procedimentos para a solicitação de refúgio no Brasil, a exemplo de outros militares venezuelanos em situação similar”.
A Força Tarefa Logística Humanitária Operação Acolhida — prossegue o comunicado — tem prestado relevantes serviços no atendimento aos imigrantes venezuelanos na fronteira norte do Brasil, sendo reconhecida e premiada internacionalmente.
Vale lembrar que o Brasil, ao lado de Colômbia, Peru e mais 47 países, integram a lista de nações que reconhecem o líder da oposição Juan Guaidó, chefe do Parlamento, como presidente interino da Venezuela. Correio Braziliense
