A empresária e farmacêutica Daniela Reis Frontera, de Duartina (SP), resolveu enfrentar o duro diagnóstico de uma doença degenerativa sem cura nos olhos ajudando justamente os deficientes visuais a quebrar algumas das barreiras sociais que afetam suas vidas.
Daniela conta que aprendeu a ler e escrever em braille, por isso criou o projeto “Enxergando o Futuro com as Pontas dos Dedos” para ensinar o método a deficientes visuais. As aulas semanais são gratuitas e já contam com dez alunos, três deles cegos completos.
Hoje, sexta-feira (13), dia de Santa Luzia, a protetora dos olhos, é celebrado o Dia Nacional do Cego. Ao G1, a empresária de 46 anos anunciou sua intenção de ampliar seu projeto para abranger mais pessoas que buscam a inclusão através dessa escrita e leitura através dos pontinhos em alto relevo.
“Temos que ter fé de que nada acontece por acaso em nossas vidas e por isso resolvi ajudar outras pessoas a alcançarem seus objetivos e a não ficarem deprimidas. Poder ler é também uma forma de inclusão e o braille é o caminho para isso”, explica Daniela.
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As aulas acontecem às segundas-feiras e reúnem alunos com vários níveis de deficiência; três deles têm cegueira total — Foto: Arquivo pessoal
Daniela afirma que foi aos 23 anos, logo após concluir a faculdade de farmácia, que recebeu o diagnóstico de retinose pigmentar, uma doença degenerativa de origem genética que não possui cura nem tratamento. Aos poucos, seu campo de visão e sua acuidade visual foram diminuindo e, aos 30 anos, Daniela já não conseguia mais dirigir e nem realizar leituras sem ampliação.
Como admitia que “um dia poderia acontecer o pior”, numa referência à cegueira completa, Daniela decidiu, enquanto podia ver, se alfabetizar no método braille através de aulas com a professora Grasiele de Moraes, de Bauru, especialista em deficiência visual.
Atualmente, a empresária que comanda algumas farmácias de manipulação na região, possui cerca de 30% a 40% da visão. “Eu ainda não preciso usar o braille, mas sei que muitas pessoas precisam e não conseguem acesso ao método na rede pública. Por isso criei o projeto que agora quero ver crescer e chegar a mais pessoas”, diz Daniela.
Aulas
Para ensinar o braille, a empresária conseguiu apoio da prefeitura, que cedeu o local das aulas, na sede da Assistência Social de Duartina, e adotou o método com o qual foi alfabetizada, que utiliza tampinhas de plástico e bolinhas de gude.
As tampinhas são colocadas numa base de papelão e servem de “forma” para receber as bolinhas, que ocupam as posições dos pontos que formam cada letra. Para se acostumar a reconhecer as letras e palavras apenas pelo tato, os alunos que têm visão parcial fazem os exercícios de alfabetização em braille com os olhos vendados.
Daniela explica que o curso também ensinará os alunos a usar a reglete, uma espécie de gabarito em que o aluno marca o papel com uma agulha, e até mesmo uma máquina similar às de escrever tradicionais, em que a pessoa digita seu texto, que é reproduzido em pontos de alto relevo.
Esses métodos “mecânicos”, explica Daniela, só serão ensinados quando os alunos já estiverem alfabetizados no sistema de “bolinhas”.
De acordo com Daniela, o projeto foi idealizado para atender somente pessoas com cegueira total ou baixa visão. Num segundo momento do projeto, ela planeja ampliar o atendimento de seus alunos com palestras de psicólogos, terapeutas e técnicos em informática.
Serviço
‘Enxergando o Futuro com as Pontas dos Dedos’
- Quando: aulas às segundas-feiras, às 19h
- Onde: sede da Assistência Social (avenida 9 de julho – Duartina)
- Quanto: gratuito
- Informações e inscrições: (14) 3282-1468
