A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) Foto: Marcos Alves
Deputada estadual e quase candidata à vice na chapa de Jair Bolsonaro , Janaina Paschoal afirma ainda ser cedo para saber se Jair Bolsonaro teria chance de ser reeleito. Em entrevista à coluna, Janaina contou ter alertado o presidente sobre o clima ruim no PSL ainda na campanha, que as publicações de Carlos Bolsonaro no perfil do pai já cansaram e Eduardo Bolsonaro ainda é “muito imaturo”.
É fácil falar quando as coisas estão acontecendo, mas identifiquei isso na campanha. Encontrei a comitiva do presidente e achei o clima muito ruim, entre todas as pessoas. O clima estava horrível. Falei: “Isso não vai dar certo”. Falei para o presidente, antes do atentado: “Você vai rir, mas vamos fazer uma pizza, eu pago a pizza.
Porque o clima não está bom. Arruma um lugar grande, porque minha casa é pequena, mas o senhor tem que reunir essa gente e tentar unir essa base. Ninguém conta a verdade para o senhor, mas esse povo está se matando, eles estão se digladiando”. Mas ele ignorou. Esse choque não era em torno de ideias, era entre as pessoas. Senti o conflito durante a campanha.
Quem falhou na condução do PSL?
As pessoas se uniram para evitar o PT, não para formar um partido. Talvez, o fim a que essa união se prestou já tenha sido alcançado e agora cada um vai encontrar seu caminho.
Quem seriam os maus conselheiros de Jair Bolsonaro, que a senhora mencionou recentemente?
Não tem um nome em especial, mas me parece que, quando o presidente acirra seu discurso, é muito duro na crítica, o grupo que está perto dele deveria arrefecer esse ânimo, em lugar de instigar.
Augusto Heleno falou sobre Ato Institucional nº 5…
Eu tenho pena do Heleno, ele estava voltando de viagem. Fez um comentário e o pessoal fez um carnaval. O Heleno é uma pessoa extremamente ponderada. Já presenciei o general aconselhando o presidente, no sentido positivo, de acalmar ânimos, não vejo problema nele, ele é um dos bons personagens que estão lá.
Qual é o futuro de Bolsonaro?
Tem tudo para fazer um excelente governo: tem apoio popular, excelentes ministros, ainda tem uma base. Está faltando conciliar esse povo. Ainda vejo a possibilidade, mas tem que querer.
Bolsonaro quer fazer uma reconciliação?
Não sei. Há líderes que lideram na união e líderes que só lideram no conflito. Normalmente é o líder que tem medo que os liderados se unam contra ele, então prefere os liderados separados do que unidos contra ele. Pelo o que observo, ele tem esse perfil de liderança (de conflito). Tenho dificuldade de achar que isso dá certo.
O presidente tem esse medo de ter uma revolta contra ele?
Não sei dizer, mas não descarto. Me parece que ele poderia tentar cativar essas pessoas, fazer uma pizza, no bom sentido (risos). Fazer uma coisa simples. Ele deveria fazer esse movimento, esse chamado. Se partir dele, ele tem liderança.
Acredito nisso, de olho fechado.
Bolsonaro abandona os aliados próximos?
Não sei. O presidente não fala o que sente. As pessoas têm que ficar adivinhando. Isso dificulta demais. Está todo mundo inseguro, ele é muito calado. Não chega e fala o que tem que mudar. As pessoas ficam tensas. Então, ele deveria fazer um movimento para reunir esse povo. Se eu estivesse do lado dele, eu chamaria esse povo todo, conversar um a um. Ele tem que verbalizar isso.
Quem tem esse perfil de agrupar?
Acho que ninguém. Na campanha, conversei com Paulo Guedes sobre isso, que identifiquei que precisávamos ter um líder da campanha. Ele não gostou da ideia, achou que com o Bolsonaro não funcionaria. Conversei com o professor Guedes para conversarmos um por um para propor ao general Heleno que ele fosse o líder da campanha, que fosse ele a pessoa de fazer a pizza, de ligar.
Todo mundo gostava do general. Todo esse povo que está brigando falava que o Heleno era “demais, um amor”. Acho que até cheguei a falar essa ideia para o general e estou quase certa que falei isso para o Bolsonaro, que precisava de um polo atrativo e que ele precisaria confiar. Ele não responde.
Qual é o perfil de Eduardo Bolsonaro?
Ele ainda está muito imaturo. Falo com tristeza, ele tem potencial, é muito querido, ele é uma liderança da direita, mas ele se nega a se aprimorar. Ele é jovem, teria um potencial se ele se abrisse para um aprimoramento. Ele é muito aguerrido nas ideias dele.
Isso é mais para o público, porque, pessoalmente, é muito afável, não é o mesmo das redes. Por que tem que criar esse personagem? Esse perfil tão exagerado pode ser um impedimento para o crescimento político dele.
Ele tem capacidade de ser o sucessor político do pai? Em 2026, por exemplo.
Vai ser muito cedo, mas acredito que ele tem esse plano.
Existe uma milícia digital?
Que eu tenha conhecimento, não. Mas acho que há um exagero nessas acusações. Aguerridos todos são. Como o povo do PT e do PSOL também. Acho essa CPMI das Fake News um absurdo, respeitosamente, uma perda de tempo, de dinheiro público. Não sei se é porque sou uma grande defensora da liberdade de expressão. Mas tanta coisa para investigar, é meio palco aquilo ali.
Os filhos de Bolsonaro mais ajudam ou atrapalham?
Eles gostam muito do pai, se esforçam para ajudar. Para aqueles seguidores mais raiz eles são muito importantes. Alguns acham que é estratégia de comunicação. Na minha perspectiva, eles atrapalham.
E o Carlos?
O problema é que o Carlos, às vezes, faz postagens nas redes do pai e ninguém sabe se é o Carlos ou o presidente. Teria que partir do Carlos fazer essa separação. Pode ser estratégia, mas já cansou.
Vai apoiar Bolsonaro em 2022?
Depende, vamos ver quem serão os candidatos, as propostas.
Ele tem capital político para se reeleger?
É cedo para avaliar.
Surgiu uma ideia de lançar Paulo Guedes candidato em 2022.
Duvido que ele queira. Duvido. Não é perfil dele. Também acho que não é perfil de Sergio Moro. Me parece muito o perfil para ministro do Supremo e eu ficaria muito feliz se ele fosse alçado a ministro do STF.
