O ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva deixa a prisão em Curitiba (PR) Foto: Carl de Souza / AFP
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que estava preso desde abril de 2018 na sede da Polícia Federal em Curitiba — foi solto na tarde de ontem, sexta-feira (8/11). Ele se beneficiou da mudança de entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre prisão após condenação em segunda instância.
Minutos antes de sua saída, o termo “Lula” liderava o ranking dos temas mais falados no Twitter mundial. Políticos também comentaram sua soltura em redes sociais.
Os principais jornais e veículos da imprensa internacional noticiaram a soltura do ex-presidente. O jornal britânico The Guardian colocou uma chamada na home do site sobre a soltura. A reportagem, escrita pelo correspondente do jornal no Brasil, diz que ele foi recebido efusivamente por apoiadores ao deixar a carceragem.
O texto fornece explicação jurídica para sua soltura e descreve brevemente sua trajetória, dizendo que ele liderava as pesquisas de opinião para a presidência em 2018 quando foi preso e citando a chamada “Vaza Jato” — série de reportagens do site The Intercept Brasil que indicam supostas irregularidades da Força Tarefa da Lava Jato e do atual ministro Sergio Moro quando era juiz dos casos da operação em Curitiba.
No segundo parágrafo, diz que “embora Lula não possa concorrer a um cargo público, a menos que consiga revogar sua condenação criminal, sua mera libertação pode causar alvoroço na política brasileira, colocando-o como um rival de esquerda do presidente Jair Bolsonaro, cujas políticas de extrema-direita deixaram o país profundamente polarizado”.
O texto traz o contexto jurídico da soltura e avaliações sobre o impacto da decisão do STF para além do caso Lula. O Times cita Thiago de Aragão, analista da consultoria de risco político da Arko Advice, em Brasília, que disse ao jornal que a decisão provavelmente fará os investidores pensarem duas vezes antes de fazer apostas de longo prazo no Brasil, porque será inevitavelmente interpretado como um revés na luta do país contra a corrupção.
“A corrupção é uma consideração muito significativa para os investidores que estão pensando em fazer um investimento de longo prazo no Brasil”, disse ele ao jornal. Outros veículos americanos e europeus também deram destaque à notícia, como o francês Le Monde, o italiano Corriere Della Sera e o americano Washington Post.
O pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos pelo partido Democrata, Bernie Sanders, repercutiu o fato em sua conta no Twitter. Ele diz que o ex-presidente “fez mais do que qualquer outro para reduzir a pobreza no Brasil e defender trabalhadores. Estou muito feliz que ele tenha sido solto da prisão, algo que não deveria nem ter acontecido”.
O jornal Clarín, da Argentina, destacou o fato entre as principais chamadas de seu site e publicou um vídeo do momento da saída do ex-presidente. O jornal reproduziu parte do discurso que Lula fez ao sair e descreveu o ex-presidente como “sorridente”.
Outro argentino, o La Nación, também destacou a soltura de Lula em seu site. O presidente eleito do país, Alberto Fernández, escreveu no Twitter que se comove “com a força de Lula para enfrentar a perseguição”. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, também comentou a soltura no Twitter, dizendo que “a verdade triunfou no Brasil”. A emissora de televisão do Catar Al Jazeera trazia a notícia no alto da home do seu site. ÉPOCA/G1
