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‘Não se meta nas investigações’

by nevadaduartina novembro 5, 2019 No Comments

Seiscentos dias após Marielle Franco ser morta no Rio de Janeiro, Mônica Benício segue perguntando, com voz embargada, quem matou e quem mandou matar sua companheira. Nos últimos dias , as cobranças da viúva de Marielle passaram a incluir uma nova perícia no áudio do porteiro do condomínio Vivendas da Barra e dois nomes: Jair Bolsonaro e Sergio Moro. 

“Que Bolsonaro não se meta nas investigações”, pediu Benício, que também cobrou postura de Moro: “Não é advogado do Bolsonaro”. Benício apelou que o processo não mude seu curso em função de investigados e mencionados — “sentado na cadeira do Vaticano, da Presidência da República, na Câmara dos Vereadores, não importa”.

A senhora se convenceu da tese do MP-RJ de que o porteiro mentiu?

Ainda não tenho uma resposta convincente sobre isso. Falta uma perícia séria que mostre minuciosamente tudo isso, se mentiu, se não mentiu. O que não pode é que pessoas não habilitadas a fazer essa investigação se intrometam no processo. Isso é inadmissível.

Por que a senhora e outros familiares de Marielle pediram que Moro não se envolva nas investigações?

Depois das últimas notícias, seria mais preocupante ainda. A gente nunca duvidou de que o crime foi político, e de que existe uma pessoa muito poderosa por trás disso, que obviamente tem interesse em que esse crime não seja elucidado.

O MP do Rio e a Polícia Civil, mesmo com o passar desse tempo, vêm trabalhando. Infelizmente o assassinato foi muitíssimo bem executado. Nós temos hoje os acusados de serem os executores — o motorista, que seria o Élcio, e o atirador, que seria Ronnie Lessa.

Já passamos da fase das oitivas, estamos na expectativa de um júri em breve, no início do ano, até o meio do ano que vem. Mesmo com a campanha da promotora, agora afastada, defendo que as investigações sigam no Rio de Janeiro.

A senhora já percebia parcialidade da promotora afastada?

Solicitamos ao MP do Rio o afastamento dela depois que vimos as fotos dela. Não tinha como ser isenta. Não era só a campanha para o Bolsonaro, mas também a homenagem que ganhou do deputado Rodrigo Amorim, que rasgou a placa da Marielle e sempre demonstrou um profundo desrespeito e desprezo pela memória da Marielle.

Há três semanas, a senhora foi recebida por Moro, fora da agenda. O que pediu ao ministro?

Que ele se manifestasse publicamente para dizer que o Brasil tem o comprometimento com a elucidação do caso, e que não houvesse federalização do caso. Mas o ministro só se manifestou, e muito rapidamente, quando o nome do presidente foi mencionado na investigação, para sair em sua defesa. Ele age de uma forma inadequada para um ministro. Afinal de contas, ele não é advogado do Bolsonaro.

O que a senhora diria para Bolsonaro?

Que não se meta nas investigações. Afinal de contas, não cabe ao presidente da República investigar absolutamente nada. A declaração que ele fez sobre ter tido acesso a áudios, a provas, faz com que isso tenha que ser olhado com muita seriedade.

Qualquer investigação que envolva o presidente deve ser feita pela PGR e analisada pelo STF. Apenas. Não cabe ao presidente se antecipar e recolher provas, alegando que haveria adulteração. E quem é que me garante que de fato não foi adulterado? Já solicitamos uma nova perícia, desconsiderando absolutamente a primeira que foi feita, às avessas, às pressas.

Em dez meses de governo, Bolsonaro evitava falar no caso.

É muito lamentável que durante todo esse tempo o presidente tenha silenciado sobre essa execução. Mesmo quando questionado, sempre optou pelo silêncio. Ele só se manifestou agora, diante de todo esse caos, com o seu nome sendo mencionado.

É muito preocupante ver um país que se diz em um Estado democrático de direito numa situação como essa. No Brasil, quem não está extremamente preocupado com o que está acontecendo, com a não elucidação desse caso 600 dias depois, não está entendendo.

Ele ocupa o maior cargo do país. Se não está comprometido com a elucidação de um crime político, que tem a maior repercussão na história do país, está equivocado, para dizer o mínimo.

Por que o porteiro compraria briga com o presidente e milicianos?

As autoridades precisam responder seriamente a quem interessaria isso, e a quem interessaria a proteção de Jair Bolsonaro e Sergio Moro nesse movimento de deslegitimar essa fase da investigação. Toda e qualquer linha de investigação que possa levar à elucidação do caso Marielle deve ser analisada, independentemente de quem será investigado.

Se a pessoa investigada está sentada na cadeira do Vaticano, na Presidência da República, na Câmara dos Vereadores, isso não importa para mim. O que eu quero que seja respondido é quem mandou matar a Marielle. A resposta é crucial para a história do país. Quem fez isso tem que ser responsabilizado. Meu projeto não é de vingança, é de justiça.

O colunista Lauro Jardim mostrou que o porteiro que aparece no áudio não é o mesmo que diz ter falado com ‘seu Jair’.

Esse país está de sacanagem. Todo dia é um sete a um diferente, meu Deus do céu. Peço mais seriedade, mais atenção, para que o caso seja esclarecido de forma muito minuciosa.

A morte de Marielle desperta também desprezo. Como lida com isso?

Qualquer pessoa tem o direito de ter divergências políticas com a Marielle. Mas era uma mulher, uma mãe, uma esposa, uma filha, uma mulher democraticamente eleita, com muita luta. Fez uma política para as minorias e foi brutalmente executada quando voltava de uma agenda na sua função, e não chegou em casa para jantar.

Peço sensibilidade. Não é porque a Marielle era especial, mas a resposta a esse crime passa a mensagem de que isso não pode acontecer novamente no país com mais ninguém. Que ninguém tenha de lidar com uma dor parecida à minha.

Como a senhora está, 600 dias após o crime, ainda sem saber quem matou e mandou matar sua mulher?

Eu faço essa contagem todo dia. Perceber que ainda não há justiça para Marielle e Anderson é muito doloroso. Na dor, é uma conta que não vai acabar nunca. Tenho feito missas para a Marielle toda segunda-feira. No catolicismo, segunda-feira é dia das almas.

Ela era muito católica. Às quartas-feiras, o dia do assassinato, vou ao cemitério visitar o túmulo dela. O que me move hoje é a minha dor. É o que me lembra que estou viva, infelizmente. Pelo menos até que a gente tenha justiça, para ver se eu consigo dormir um pouquinho melhor. Mas o Estado brasileiro parece não estar disposto a ajudar. ÉPOCA/G1

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Nivaldo José

Jornalista e Radialista com mais de 25 anos de experiência em veículos de comunicação/Rádios em Bauru. Tenho como objetivo oferecer um serviço de conteúdo com responsabilidade priorizando sempre a verdade dos fatos. A credibilidade adquirida nesse período também me compromete com as fontes de informação, o que garante a qualidade do meu trabalho.

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