A Ford encerra hoje, quarta-feira (30), depois de 52 anos, a produção de veículos na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A decisão foi anunciada 8 meses antes e, ao longo deste tempo, foi cogitada a venda da unidade, mas nada se concretizou até agora.
Hoje, quarta, ao confirmar o fim da linha, a Ford afirmou que “as negociações envolvendo a venda da planta para o grupo Caoa ainda estão em andamento, sem decisão conclusiva até o momento, e a Ford reitera que continua fazendo todos os esforços cabíveis para alcançar um resultado positivo”.
O fechamento em São Bernardo acontece no ano do centenário das operações da montadora americana no Brasil. A unidade do ABC era uma das fábricas de veículos mais antigas do Brasil.
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Fábrica da Ford em São Bernardo do Campo encerrou suas atividades — Foto: André Paixão/G1
Ela empregava 2.350 funcionários no começo do ano. Desses, apenas mil, que são da área administrativa, serão mantidos. Eles deixarão a sede de São Bernardo em março do ano que vem.
Além desta fábrica, a montadora tem outras duas unidades no país: a de Camaçari, na Bahia, onde está concentrada a produção de carros, entre eles Ka e EcoSport, além de motores, e uma fábrica exclusiva de motores e transmissões, em Taubaté (SP). Existe também um campo de provas em Tatuí (SP), onde carros são testados.
Fim da produção de caminhões
Com o fim da linha de caminhões, outros 600 trabalhadores serão dispensados a partir de amanhã, quinta (31).
“Quero agradecer aos funcionários de São Bernardo pelo seu profissionalismo e dedicação durante vários anos. Mesmo após o anúncio feito em fevereiro, eles nunca deixaram de cumprir com suas obrigações, produzindo produtos de altíssima qualidade e cuidando da segurança”, afirmou o presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters, em comunicado.
Quando anunciou a decisão de fechar a fábrica, em fevereiro passado, a Ford informou que o objetivo era acabar com a operação de caminhões na América do Sul. A montadora tem adaptado sua estratégia, que está sendo direcionada para SUVs e picapes.
Ainda neste ano, a Ford anunciou uma aliança com a Volkswagen para desenvolverem veículos em conjunto, o que também reduz custos para ambas as fabricantes.
“Temos uma visão otimista para o Brasil e o futuro da Ford, com a continuidade de nossas operações nas fábricas de Camaçari e Taubaté e no Campo de Provas de Tatuí”, disse Watters.
Sem destino definido
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Ford vai levar os funcionários restantes de São Bernardo para um edifício comercial em São Paulo. Com isso, a fábrica do ABC deverá ficar abandonada.
Continuam as negociações com a Caoa para a venda da unidade. A empresa brasileira de Carlos Alberto de Oliveira Andrade é dona de metade da operação da chinesa Chery no Brasil e também é responsável por produzir e comercializar alguns carros da Hyundai no país.
Antigo berço de Willys
A unidade da Avenida do Taboão é, na verdade, uma das primeiras fábricas de automóveis do país.Antes de ficar nas mãos da Ford por mais de 5 décadas, ela foi idealizada e construída pela extinta Willys-Overland do Brasil. A inauguração foi em 1954, com a produção do Jeep Willys. Depois deles, vieram os modelos Aero, Rural, CJ-5 e Itamaraty.
Depois dele, vieram diversos outros modelos conhecidos, como Ka, Escort, Maverick, Del Rey, Verona e Pampa. Todos montados no espaço, que fica separado por uma cerca de outra fabricante, a Mercedes-Benz.
Em 2001, a Ford inaugurou uma fábrica de Camaçari, transferindo quase toda a produção de automóveis para o local. Em contrapartida, São Bernardo recebeu a linha de caminhões, vinda da extinta unidade do Ipiranga, na capital paulista.
