(foto: Andreas Solaro/AFP)
Após virar notícia global por conta das queimadas e desmatamentos, que geraram forte desgaste na imagem do governo do presidente Jair Bolsonaro, a Amazônia está novamente sob holofotes. Desta vez, do papa Francisco, que ergueu como uma de suas bandeiras a defesa do meio ambiente.
Previsto para começar amanhã, o Sínodo para a Amazônia reunirá 250 bispos de todo o mundo no Vaticano para discutir “novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. A igreja deve tratar, além da evangelização na região, da ordenação de homens casados e da ampliação da participação feminina na Igreja Católica, de temas ligados à proteção de povos indígenas e do meio ambiente.
O encerramento do encontro, para o qual e foram convidados, como conselheiros, cientistas e ambientalistas, está previsto para 27 de outubro. No fim de agosto, Bolsonaro reconheceu que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitorava os preparativos do sínodo.
Ele afirmou que a assembleia de bispos católicos “tem muita influência política” e explicou que a agência monitora todos os grandes grupos. O encontro preocupa o Palácio do Planalto, que apontou, mais de uma vez, que a cúpula convocada pelo líder religioso pode ser considerada uma forma de interferência estrangeira nas questões que afetam a soberania brasileira.
Os bispos da região amazônica divulgaram uma carta nosmesmo mês: “Lamentamos imensamente que hoje, em vez de serem apoiadas e incentivadas, nossas lideranças são criminalizadas como inimigos da pátria”, escreveram.
Além disso, o posicionamento do papa diverge das intenções de Bolsonaro de incentivar o turismo na região e abrir terras indígenas à exploração de minérios. O chefe do Executivo também afirmou que não fará novas demarcações de reservas para abrigar os chamados povos originários.
O documento reúne 147 pontos, divididos em 21 capítulos, separados por três partes, que abordam: “A voz da Amazônia”; a “Ecologia integral: o clamor da terra e dos pobres” e a Igreja “com rosto amazônico e missionário”. Na última quarta-feira, Bolsonaro recebeu no Palácio do Planalto o núncio apostólico Giovanni d’Aniello, representante do papa Francisco no Brasil. No entanto, o assunto tratado não foi revelado. Correio Braziliense
