A arrecadação de tributos pela Receita Federal deve crescer pelo quarto mês consecutivo em agosto. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/ FGV), a alta será de 5,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, descontada a inflação. A projeção para os últimos 12 meses e para o acumulado do ano é de avanço de 0,8% e 1,9%, respectivamente.
De acordo com a pesquisadora do Ibre/FGV, a economista Vilma Conceição Pinto, entraram nos cofres públicos de janeiro a agosto, incluindo recursos não administrados pela Receita Federal, R$ 970,341 bilhões, o que representa um crescimento real de 2,2% ante o mesmo período de 2018. O total recolhido no período de 12 meses aumentou 1,5% e, na comparação entre agostos, a alta foi de 5,3%.
Essa melhora na arrecadação de forma mais consistente é um indicativo de que o descontingenciamento pode atingir os R$ 20 bilhões previstos pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, até o fim do ano.
A economista explicou que, com os dados da Receita e do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), é possível notar uma melhora no Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e na Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). “Vêm crescendo acima da atividade econômica, isso pode ajudar na melhor arrecadação”, disse.
Legislação
Vilma Pinto destacou, também, que a mudança na legislação, que reduziu as compensações tributárias, contribuiu de forma positiva. “Quando avaliamos a arrecadação bruta e comparamos com a do Tesouro Nacional, que é líquida, vemos os movimentos distintos a partir dessa legislação”, afirmou.
Outros fatores citados por ela que podem contribuir no descontingenciamento originado da arrecadação são: antecipação do lucro e dividendos das estatais e o leilão do excedente da cessão onerosa. Com os dados do Siafi, o Ibre consegue adiantar o movimento da arrecadação e do resultado primário. “Apesar de não ser o oficial, é um número que acredito ser factível. A gente já esperava algo em torno disso”, destacou. Correio Braziliense
