A oposição na Câmara dos Deputados conseguiu as assinaturas necessárias para a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades na condução da Lava-Jato. Ao todo, foram validadas 175 assinaturas — o número mínimo é 171 — no pedido protocolado, na noite de quinta-feira, pela líder da minoria, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).
A iniciativa é uma das mais graves repercussões da divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de diálogos atribuídos a membros da operação e que teriam sido hackeados do Telegram.
Jandira Feghali disse ao Correio que, agora, só falta a comissão ser instalada e que fará um pedido nesse sentido ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na segunda-feira. Segundo ela, como a CPI já foi publicada, não há mais como os parlamentares retirarem assinaturas.
A lista de signatários não conta apenas com parlamentares de partidos de oposição. Um deles é o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), que foi expulso do PSL recentemente, após criticar o presidente Jair Bolsonaro e se abster de votar no segundo turno da reforma da Previdência.
A também tucana Tereza Nelma foi outra a assinar o requerimento, da mesma forma que deputados do DEM, como Pedro Paulo (RJ), Sóstenes Cavalcante (RJ) e Aníbal Gomes (CE). De acordo com Jandira Feghali (PCdoB-RJ), desde o recesso de julho, ela vinha tentando recolher as 171 assinaturas necessárias ao pedido de CPI.
Relator defende MP independente
O senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator da indicação do novo procurador-geral da República, Augusto Aras, no Senado, defendeu um Ministério Público independente. O relatório sobre a indicação deve ser entregue no início da próxima semana. “Através de uma constituinte eleita que se constitucionalizou o Ministério Público e se deu a essa instituição os poderes para que possa ser exercido de forma independente.
Isso não impede que aquele que nomeia busque um certo alinhamento com relação a temas”, disse. O presidente Jair Bolsonaro indicou Aras para ocupar a PGR. Ele não fazia parte da tradicional lista tríplice apresentada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Antes de escolher, Bolsonaro conversou com vários nomes em potencial, perguntando suas opiniões a respeito de alguns temas. (Agência Brasil)
