O bar de refugiados Al Janiah, localizado no Bixiga, região central da cidade de São Paulo, sofreu um ataque na madrugada deste domingo (1), de acordo com a direção da casa. Tudo aconteceu na calçada e ninguém se feriu.
Por volta das 3h30, um grupo de cinco pessoas se aproximou do estabelecimento portando faca e spray de pimenta, segundo nota do bar. O espaço já estava fechando as portas, mas ainda havia clientes, segundo a assessoria de imprensa.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o grupo se aproxima do local. Um dos homens tenta esfaquear uma pessoa, mas acerta a porta, que se fecha.
Com o bar fechado, o grupo recua. Quando a porta se abre novamente, um dos homens ameaça com a faca em punho, enquanto outro, ao fundo, espirra spray de pimenta, e um terceiro atira uma garrafa de vidro, conforme explicou a assessoria de imprensa da casa ao G1. Os seguranças abordaram o grupo, que fugiu após a ação que dura cerca de um minuto.
Ninguém se feriu, mas os proprietários acreditam que “a principal motivação deste ato tenha sido o crescente discurso de intolerância e ódio que acomete este país”, já que o bar “sempre foi conhecido por ser um espaço democrático, de defesa das minorias políticas e acolhimento de refugiados”, conforme escreveram em nota nas redes sociais. A administração do estabelecimento acrescentou que está tomando providências, sem especificar quais.
A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar, que não registrou a ocorrência. De acordo com a assessoria de imprensa do Al Janiah, a casa não ligou para a polícia, nem registrou boletim de ocorrência, pois situações simulares ocorreram em 2016 e 2017, sem que tivessem pedido de socorro atendido.
O Al Janiah foi inaugurado há 4 anos por refugiados palestinos, e há 3 anos fica na mesma casa, no Bixiga. O local funciona como bar, restaurante e centro cultural, oferecendo cursos, atividades e palestras sobre filosofia e política.
Outros conflitos
Em 2016, o empresário Hasan Zarif, proprietário do Al Janiah e líder do movimento Palestina para Tod@s, afirmou ao G1 que a Polícia Militar lançou bombas de gás lacrimogêneo contra seu estabelecimento, atingindo clientes e funcionários, durante manifestações.
Para o homem, o espaço sofreu repressão por receber clientes com alinhamento político de esquerda. “Fechamos as portas do bar, mas o gás começou a entrar. Pessoas passaram mal, eu fui para o fundo e entrei na cozinha. Depois de um tempo, saí e fui falar com os policiais”, disse à época.
No ano seguinte, em 2017, seis pessoas foram presas, entre elas, Hasan Zarif, após protestarem contra um ato dos movimentos Direita São Paulo e Juntos pelo Brasil na Avenida Paulista. Os grupos de direita faziam uma manifestação contra a Lei de Migração. Eles responderam por explosão, lesão corporal, associação criminosa e resistência. G1
