A hemodiálise em domicílio foi uma alternativa adotada pelo Hospital Estadual de Bauru (SP) para zerar a fila de espera dos pacientes que precisavam realizar o procedimento. O programa foi implantado, primeiramente, no Hospital das Clínicas de Botucatu e depois, em Bauru.
Na região de Bauru, 1100 pessoas vivem a rotina da hemodiálise três vezes por semana, com 190 máquinas disponíveis em seis hospitais de referência, entre eles o Hospital Estadual. Desde maio de 2018, a instituição conseguiu zerar a fila de espera e hoje, 65 pacientes já realizam a diálise peritoneal em casa, somente com orientação do hospital.
Segundo o Dr. Durval Garms, que é o médico nefrologista responsável pela ala de diálise no Hospital Estadual de Bauru, o novo procedimento em domicílio evita que o paciente necessite de um acesso vascular, ocupando uma vaga de hemodiálise. Para isso, pacientes e parentes recebem um treinamento em um espaço novo no hospital.
“Ele pode fazer essa diálise em casa, depois de um treinamento, de um período que ele fica com a gente aqui no hospital. Enquanto os familiares, a gente treina como fazer essa diálise em casa, e o domicílio é adequado para tal”, esclarece o médico.
Assim, uma máquina responsável pelo procedimento é levada até a casa dos pacientes e os insumos são entregues todos os meses. Diferentemente do hospital, em casa, o paciente precisa estar ligado à máquina por dez horas todos os dias. Então, o paciente pode fazer o tratamento à noite, enquanto dorme.
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Paciente do Hospital Estadual de Bauru (SP) recebe treinamento para realizar hemodiálise em casa — Foto: Reprodução/TV TEM
“Em casa é melhor, né? Em casa você tá sossegado, sai andar um pouquinho, só vem aqui no dia dos tratamentos médicos, tudo bem”, aprova Antônio Marqui, senhor que começou a utilizar essa nova opção do hospital. A esposa de Antônio, a dona Divina Almeida Marqui, concorda que fazer hemodiálise em casa foi a melhor alternativa para a família. Caso contrário, ele teria que ir ao hospital três vezes na semana.
“Nós adaptamos o quarto, banheiro, tudo, aí nós fizeram a visita e falaram ‘nós temos uma surpresa, já trouxe a máquina’. Eu assustei porque achei que eu ainda vinha aqui (no hospital), né? Mas graças a Deus, deu certo”, comemora Divina.
Apesar das novidades, nem todos os pacientes podem ou optam pelo tratamento domiciliar. No Hospital Estadual de Bauru, estão disponíveis 34 máquinas de hemodiálise que trabalham em três turnos para dar conta de filtrar o sangue de 195 pacientes, e oitenta funcionários cuidam para que tudo corra bem.
Em 2017, o TEM Notícias mostrou a história de muitos pacientes que tiveram que morar no Hospital Estadual por meses até que surgissem vagas para hemodiálise. Assim, os ministérios públicos do estado e federal, que acompanham o problema na saúde, entraram com uma ação civil pública pedindo ao estado e à união a ampliação do atendimento.
“Se não houver um deferimento dessas medidas cautelares, um deferimento do mérito dessa ação, essas pessoas podem não receber o atendimento digno e falecerem por falta de vaga no setor de hemodiálise na nossa região”, alerta o procurador do Ministério Público Federal, Fabrício Carrer.
Jaú
Em Jaú (SP), os hospitais também conseguiram zerar as filas de espera. Para isso, a Santa Casa da cidade comprou, no ano passado, oito máquinas para substituir os equipamentos mais antigos. Cada uma das máquinas dura 10 anos e custa, em média, R$ 50 mil.
Além da troca de equipamentos, o hospital começou a realizar hemodiálise em novos turnos, após a autorização de aumento de vagas pelo Ministério da Saúde. Na Santa Casa de Jaú (SP), 37 máquinas atendem 160 pacientes.
“Nós começamos já o segundo turno de segunda, quarta e sexta, mas ainda com um número reduzido de pacientes porque a gente precisa do pessoal da enfermagem treinado. Então o pessoal ‘tá’ sendo contratado, ‘tá’ sendo treinado, mas isso demanda um certo tempo, pode levar meses”, explica o chefe do serviço de nefrologia da Santa Casa, Marcos Roberto Colombo Barnesa.
Os novos turnos e equipamentos deixam os pacientes de Jaú aliviados. Ter uma vaga garantida já é o primeiro passo para uma melhor qualidade de vida. “Tem muita gente doente que não pode, né? As vezes ‘tá’ esperando uma vaga e não sai mais. Graças a Deus nós estamos vivendo aí. É igual eu falo para você, aqui dentro não é vida, né?”, conclue o aposentado Júlio Caetano, paciente de Jaú. G1 Bauru e Marília.
