Sophia, de 9 anos, disse que está animada para contar aos colegas da escola sobre a surpresa que teve perto de casa Foto: Antonio Scorza / Agência O Globo
Ele veio de muito longe e ancorou em terras fluminenses apenas para descansar, como chama atenção uma placa instalada na Praia de Itacoatiara, em Niterói, que alerta para que ninguém se aproxime.
Com o perímetro cercado para resguardar sua segurança e tranquilidade, o lobo-marinho que ganhou as redes sociais depois de posar para fotosnesta semana, seguiu dormindo sereno mesmo sob chuva e na última quinta-feira, deixou a Praia de Camboinhas, sua primeira parada, e seguiu para a vizinha, Itacoatiara.
Enquanto o animal marinho se espreguiça na areia, uma equipe atenta do Centro de Treinamento de Animais acompanha suas movimentações. O CTA faz parte do Projeto de Monitoramento de Praias, uma condicionante ambiental exigida pelo Ibama para que a Petrobrás atue na produção e escoamento de petróleo e gás no pré-sal da Bacia de Santos.
Distribuídos em rodízio, oito profissionais, entre veterinários, biólogos e ecólogos, se dedicam ao monitoramento do animal. O lobo-marinho é um macho jovem que pode viver cerca de 20 anos, medir até 2 metros de comprimento e pesar 150 kg.
— Precisamos montar o cordão de isolamento porque a população fica eufórica. Todo mundo quer ver, tirar foto, mas ele pode se tornar agressivo quando ameaçado. Pela própria segurança da equipe e da população, ficamos aqui monitorando para saber se ele está bem — explica a veterinária Isabela Kaysel Menegaldo.
De acordo com Rafael Carvalho, um dos biólogos da equipe, a chegada de animais pinípedes — mamíferos aquáticos como focas e leões-marinhos — no Rio não é incomum e há registros de outras aparições de lobos-marinhos na Praia de Itaipuaçu, em Maricá, e na Praia da Macumba, no Recreio.
— Praticamente todo ano a gente tem ocorrência da chegada dessa espécie aqui no Rio de Janeiro. O que acontece é que a gente não pode considerar que seja uma migração como as baleias, que saem das regiões geladas, das suas áreas de alimentação, e vem para a costa do Brasil para se reproduzir.
Os lobos saem da região subantártica e chegam a nadar longas distâncias em busca de alimento — explica o biólogo, dizendo que a maioria dos registros acontecem no Sudeste e no Sul, mas já houve casos no Nordeste.
Depois da longa jornada, os animais acabam parando por aqui para descansar, aproveitando principalmente a temperatura das águas do oceano Atlântico, como é o caso do lobo-marinho hospedado nas praias de Niterói.
— Ele está bem. Não percebemos nenhuma lesão evidente. Nessa época de inverno as águas lá são mais gelada, então alguns animais como ele tendem a vir em busca de águas mais quentes, e acabam às vezes parando no nosso litoral para descansar — analisa Menegaldo.
Na tarde desta quinta-feira, quando a chuva estiou e o tempo abriu um pouco, um grupo de moradores se aproximou para observar o visitante curioso. Sophia, de 9 anos, mora próximo do local onde o leão-marinho e foi até a praia para vê-lo. Ela disse que está animada para contar aos colegas da escola sobre a surpresa que teve perto de casa.
— Gostei muito dele. Achei muito fofinho e grande.
O professor de história e filosofia Ralph Siqueira, de 46 anos, costuma voar de parapente de um mirante próximo da praia. No vôo de quarta-feira, ele viu o lobo-marinho, resolveu trazer os filhos, Noé e Soloína, para conhecê-lo.
— É uma oportunidade única para eles — disse.
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos é executado de Laguna, em Santa Catarina a Saquarema. O CTA monitora os trechos de Paraty a cidade da Região dos Lagos. Ao avistar animais marinhos encalhados nestes locais, entre em contato com o número 0800-009-5444. EXTRA/G1
