O ataque poderia ter sido ainda pior no Instituto Estadual Educacional Assis Chateaubriand, em Charqueadas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, se não fosse a ação de um professor de educação física da instituição.
De acordo com o relato de alunos, no momento em que o ataque ocorria no interior de uma sala de aula, o professor Juliano Mantovani entrou no local e conseguiu tirar a machadinha das mãos do suspeito. A professora de história Camila Teixeira estava na sala ao lado em que houve o ataque.
Segundo a docente, Juliano estava na quadra da escola quando ouviu o barulho dos alunos; ele correu até a sala e conseguiu tirar a machadinha da mão do agressor. Na sala de aula havia outro professor, de geografia, que não ficou ferido.
O subchefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, delegado Fábio Motta Lopes, informou que, após o ataque, o agressor voltou para casa e confessou o crime à família. Segundo Lopes, foram os próprios familiares que acionaram a Polícia para levar o agressor à delegacia.
Jovem presta depoimento e, até o momento, não há informação sobre o motivo do crime. De acordo com a Polícia Civil, o adolescente usava uma vestimenta na cabeça para não ser reconhecido na escola — a corporação ainda não soube precisar se era um boné ou um pano. O agressor havia estudado na escola há, pelo menos, dois anos.
Depois do atentado, a escola publicou um comunicado em sua página oficial do Facebook. Segundo a instituição, Mantovani não ficou ferido durante o ataque. Os feridos — três atingidos pela arma branca do agressor e outros três que foram atendidos por conta do choque — não correm risco de morrer.
“O professor que estava na sala não se feriu. Porém o pânico foi geral. Estamos chocados com o fato, mas queremos tranquilizar a comunidade escolar de que neste momento não há alunos na escola e estamos sendo amparados pelos órgãos de segurança e Secretaria de Educação” diz um trecho do comunicado.
Sala de aula onde o invasor jogou uma garrafa com fogo Foto: Mãe de aluna
A escola, que atende a 700 alunos dos ensinos fundamental, médio e técnico, informou ainda que não funcionará no período da noite.
‘Vi colocando fogo na garrafa’, diz aluna
Segundo uma aluna de 16 anos da escola, o agressor ateou fogo a uma garrafa e lançou dentro da sala de aula.
— Isso aconteceu na hora de entrada para as aulas. Eu estava no corredor com uma amiga e vi esse cara colocando fogo em uma garrafa, que tinha um pano dentro. Primeiro, eu achei que não seria nada, mas quando ele abriu a porta de uma sala e jogou a garrafa, eu vi que era sério.
Ainda conforme a aluna, o agressor estava com uma machadinha e tentou atingir os estudantes que saíam pela sala de aula, que fica no segundo andar da escola, no mesmo corredor da sala dos professores. A estudante disse que nunca tinha visto o agressor na escola. A menina contou ainda que não imaginava que algo assim pudesse acontecer em Charqueadas.
— A gente acha que isso vai acontecer numa cidade grande como São Paulo, ou nos Estados Unidos. Nunca pensei que isso aconteceria numa cidade pequena como a nossa — disse a estudante. Segundo o relato do Corpo de Bombeiros à rádio “Gaucha ZH” após a ação, buscas pelo suspeito foram iniciadas na região.
— A escola possui monitoramento por câmera e o policiamento está analisando as imagens da escola, até para ver se (o jovem) é conhecido ou aluno. Ele (o suspeito) fugiu. Pulou o muro da escola. As equipes estão procurando nos arredores e também em bairros próximos — disse o chefe do Corpo de Bombeiros Voluntários, Maurico Naatz. EXTRA/G1
