O novo diretor interino do Inpe, Darcton Policarpo Damião Foto: Miguel Ângelo/CNI 17-6-10
O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, escolheu Darcton Policarpo Damião para dirigir “interinamente” o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais(Inpe) , responsável pelo monitoramento e divulgação de dados do desmatamento no país. Ele irá substituir Ricardo Galvão , demitido na sexta-feira.
Marcos Pontes disse que vinha avaliando currículos e que o próximo diretor do Inpe seria alguém com experiência prévia em desmatamento e conhecimento em gestão. Fontes próximas ao ministro afirmaram que o fato de ser militar não foi preponderante para a decisão.
De acordo com seu currículo na Plataforma Lattes, Darcton tem doutorado em desenvolvimento sustentável pela Universidade de Brasília. Sua tese de doutorado foi sobre desmatamento na Amazônia. Ainda de acordo com seu currículo, ele possui mestrado em sensoriamento remoto pelo próprio Inpe.
Em um vídeo divulgado em redes sociais, Pontes diz que a Darcton deverá ficar no cargo de forma interina até que uma comissão seja montada e elabore uma lista tríplice. Será com base nessa lista que o diretor definitivo do órgão será escolhido.
– Ele é uma pessoa de confiança, logicamente. E uma pessoa com uma capacidade de gestão já demonstrada pelos cargos que exerceu e, portanto, será um ótimo diretor interino para dar continuidade nesse trabalho – afirmou Marcos Pontes
A controvérsia em torno da demissão de Ricardo Galvão começou depois que integrantes do governo Bolsonaro, entre eles o próprio presidente, passaram a criticar a divulgação de dados sobre desmatamento feita pelo instituto, que, entre outras coisas, monitora o desmatamento na Amazônia.
Bolsonaro fez críticas à atuação de Galvão durante um café da manhã com correspondentes estrangeiros na semana passada. De acordo com o presidente, os dados divulgados pelo Inpe sobre o desmatamento na Amazônia davam a impressão de que o órgão estaria a serviço “de alguma ong”. Os alertas de desmatamento registraram alta de 88% em junho e de 212% em julho.
Após as críticas, Galvão deu uma entrevista dizendo que Bolsonaro teria tido uma atitude “pusilânime” ao colocar em xeque o trabalho do órgão.Na semana passada, após reunião entre Pontes e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a saída de Ricardo Galvão foi anunciada. A exoneração de Galvão foi criticada por ambientalistas de organizações como o Greenpeace e do Observatório do Clima. O Globo/G1
