O presidente Jair Bolsonaro em entrevista coletiva no Japão, onde participa de reunião do G20 Foto: Reprodução / Redes sociais
O presidente Jair Bolsonaro chegou ao hotel em Osaka hoje, quinta-feira, onde será realizada a reunião de cúpula do G20, mostrando irritação com indagações dos jornalistas que queriam saber sobre o posicionamento do Brasil no encontro de líderes internacionais .
Bolsonaro parecia irritado desde que entrou no hotel, onde jornalistas brasileiros o aguardavam. Questionado sobre a mensagem que trazia para o evento, disse que estava com agenda pronta.
O porta-voz da Presidência assegurou que a irritação demonstrada pelo presidente, que encerrou a entrevista de maneira brusca, não tinha relação com a prisão do militar da Força Aérea Brasileira (FAB), flagrado com 39 quilos de cocaína , no aeroporto de Sevilha, na Espanha, e interrompeu a entrevista após alguns minutos.
Perguntado se o Brasil tinha lado na guerra comercial entre EUA e China, Bolsonaro retrucou com um “não”, e acrescentou que ao Brasil interessa a paz.
– Não queremos que haja briga para a gente poder se aproveitar. Estamos buscando paz e harmonia, como estamos trabalhando aqui a questão do [acordo] Mercosul e União Europeia – disse. Quando outro jornalista quis voltar ao tema de acordo bilateral com o presidente Donald Trump, Bolsonaro se virou e partiu.
De acordo com o general Otávio Rêgo Barros, a irritação não tinha relação com o caso, e sim com a longa viagem de 25 horas feita por Bolsonaro, “tendo que descansar para amanhã (sexta-feira) estar disposto para cooperar no G20 e no Brics, para que todos os países que estão aqui envolvidos possam sair daqui com coisas que sejam palpáveis”.
Bolsonaro chegou ao Japão em meio a polêmica prisão do 2º sargento da Aeronáutica, destaque em jornais com influência na cena internacional. O jornal Financial Times publica que “Cocaína na Espanha coloca Bolsonaro sob pressão”.
The New York Times intitula artigo com “Pó branco, rostos vermelhos: carga de cocaína a bordo de avião presidencial do Brasil”. E o Le Monde, de Paris, publica que Bolsonaro foi sacudido pelo “Aero Coca”, depois de 39 kg de cocaína terem sido descobertos em um avião oficial.
Mudança de escala
Indagado se o voo do presidente Bolsonaro para o Japão mudou a escala, de Sevilha para Lisboa, por causa do incidente, o porta-voz retrucou que não.
– Foi uma questão técnica, avaliada pelo comando da Força Aérea juntamente com o GSI – afirmou. Conforme o porta-voz, foi aberto inquérito policial militar sob a responsabilidade do Comando da Força Aérea para aclarar se houve falhas no caso do militar que embarcou no avião reserva da Presidência.
Rêgo Barros disse que o presidente determinou que o Ministério da Defesa, por meio da Força Aérea, tome todas as providências para disponibilizar o mais rápido possível à polícia espanhola dados para que sejam tomadas imediatamente as providências legais.
– O presidente, o Ministério da Defesa, o comando da Força Aérea não admitem em hipótese nenhuma procedimentos desse tipo com relação a seus recursos humanos e deseja que, o mais rápido possível, isso seja aclarado e a pessoa seja punida devidamente dentro dos trâmites – acrescentou o porta-voz.
Antes de desembarcar em Osaka, Bolsonaro voltou a usar as redes sociais nesta quarta-feira para repudiar qualquer ligação ou apoio ao militar detido com 39 quilos de cocaína no aeroporto de Sevilha, após desembarcar de um voo da comitiva que prestaria apoio a sua viagem ao Japão. G1
